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Correio da Manhã

Sociedade
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Suinicultores oferecem churrasco

Apelo à compra de carne de porco portuguesa.
30 de Abril de 2016 às 19:30
Uma tonelada de carne de porco foi este sábado assada e oferecida a quem ia a passar na zona do Parque das Nações, em Lisboa, como forma dos suinicultores alertarem para a crise e apelar à compra de carne portuguesa.

"Gostosa" ou "saborosa" foram alguns dos qualificativos usados, em declarações à Lusa, por quem usufruiu deste mega churrasco gratuito, organizado pelo Gabinete de Crise dos Suinicultores Portugueses e pela Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores e que captou a atenção de quem ia a passar e fez mesmo alguns saírem de casa propositadamente para um almoço inesperado.

Hélder Ribeiro, de 65 anos, estava ao início da tarde em casa a ver televisão quando a notícia sobre a iniciativa dos suinicultores o fez querer juntar-se para experimentar as sandes de porco e também partilhar da sua luta.

"A luta deles é legítima. Têm de pagar ordenados, impostos, rações, que os animais não podem deixar a morrer à fome", considerou, defendendo que a rotulagem da carne devia ser mais visível "com etiquetas com bandeiras dos países [de origem da carne] para que quem compra visse se era de Portugal ou do estrangeiro".

Já Adelaide Osório, de 44 anos, estava de passagem junto à estação ferroviária da Gare do Oriente quando parou para usufruir do porco no espeto. A mulher disse que habitualmente já compra carne portuguesa e defende que a maioria das pessoas também o faça até porque Portugal "precisa de trabalho que há falta de emprego".

Segundo João Correia, da organização, esta é mais uma iniciativa com que os suinicultores tentam chamar a atenção do consumidor final para a rotulagem da carne, pedindo que "não comprem a carne se não estiver identificada e que deem primazia à portuguesa".

Desde o final do ano passado que os suinicultores vêm alertado para a crise do setor, nomeadamente para o facto de que são obrigados a vender o quilo da carne abaixo do custo de produção, e pedindo medidas que aliviem a situação difícil que atravessam. Em causa, dizem, estão 200 mil empregos.

Os suinicultores reclamam ainda às grandes superfícies que rotulem corretamente a carne de porco, nomeadamente no país de origem, para que os portugueses consigam distinguir facilmente qual é carne portuguesa e qual é a estrangeira.

"Falou-se da descida da TSU [imposto pago mensalmente à Segurança Social] e não vimos nada. Falou-se na linha de crédito de 20 milhões de euros e nada", afirmou João Correia, referindo que a única medida até agora tomada é o decreto-lei que torna obrigatória a rotulagem de carnes com a identificação do país de origem ou do local de proveniência.

Suinicultor há 44 anos, José Delgado tem participado em todas as manifestações do Gabinete de Crise e esta não foi exceção. O produtor de 64 anos diz que participa por si mas sobretudo pelos colegas e amigos que tem no setor, uma vez que neste momento o negócio já lhe dá prejuízo e pensa fechar a empresa quando vender os 300 animais que atualmente tem.

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