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Correio da Manhã

Sociedade
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Tabaco em 90% dos cancros

A entrada em vigor da lei que visa reduzir o consumo de tabaco, em Janeiro de 2008, não resultou num decréscimo de fumadores nem na diminuição de vítimas de doenças respiratórios, revelou ontem o presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão, Teles de Araújo.
27 de Outubro de 2009 às 00:30
Ontem foi apresentada a Fundação Portuguesa do Pulmão, em Lisboa
Ontem foi apresentada a Fundação Portuguesa do Pulmão, em Lisboa FOTO: Manuel Moreira

Na apresentação do 5º Relatório do Observatório Nacional de Doenças Respiratórias, Teles de Araújo referiu que "o impacto no consumo e hábitos dos fumadores parece ter sido limitado com a entrada em vigor da lei".

O relatório revela que "o tabaco é o principal responsável pelas doenças respiratórias estando na origem de 90% dos cancros do pulmão". "São urgentes medidas complementares que passarão pela área legislativa, pelos impostos sobre o tabaco e por campanhas intensivas de informação e educação", defendeu Teles de Araújo.

O presidente do conselho de administração da Fundação entende que "estão longe de ser alcançadas as metas propostas para o próximo ano de reduzir para metade a percentagem de fumadores". Na sua intervenção, Eduarda Pestana, responsável da Consulta de Tabagismo do Hospital Pulido Valente (Lisboa), precisou que em 2008 a percentagem da população portuguesa fumadora era de 22%, "valor semelhante ao existente antes da entrada em vigor da lei do tabaco". Defensora de que o aumento dos impostos sobre o tabaco é a melhor forma de reduzir o consumo, Eduarda Pestana referiu que "agravar 10% no imposto levaria a que 4% deixassem de fumar".

Eduarda Pestana defendeu que a maior preocupação é com as raparigas, pois 26,2% das mulheres entre os 15 e os 18 anos fumam, enquanto nos rapazes, na mesma faixa etária, o valor é de 17,6%.

Segundo o relatório, houve 73 880 internamentos por doença respiratória em 2008, o que representa um aumento de 14,8% face a 2003. Um agravamento que esbarra no número insuficiente de camas nos hospitais: há apenas 589 camas nos serviços de pneumologia.

APONTAMENTOS

CRESCE PNEUMONIA

Morreram em 2006 por pneumonia 4684 portugueses, mais 29,1% do que em 2002. Portugal possui uma das piores situações da Europa.

TUBERCULOSE DESCE

A tuberculose tem vindo a cair. A redução na última década foi de 7,2% ao ano. Em 2008 foram diagnosticados 2916 casos.

ASMA MAL CONTROLADA

A rinite atinge 30% dos idosos e a asma 11%. Ambas as doenças estão mal controladas.

CANCRO DO PULMÃO

3599 morreram por cancro no pulmão, em 2006. Internados em 2008 foram 6870, mais 22% do que em 2002.

GRIPE MATA 1500 EM 2008

Em 2008 houve um excesso de mortalidade de 1500 óbitos relacionados com a gripe.

5.ª CAUSA DE MORTE

A doença pulmonar obstrutiva crónica é a quinta causa de morte. Em 2006 morreram 2682. Em 2008 foram internados 9301.

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