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Correio da Manhã

Sociedade
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Tabaco: Jovens fumam pelo estatuto social

Um trabalho de investigação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) revelou que os adolescentes fumam com o intuito de melhorarem o seu estatuto social junto dos colegas.
26 de Maio de 2011 às 12:28
Jovens não se identificam com campanhas
Jovens não se identificam com campanhas FOTO: d.r.

Um estudo prévio, em que 2036 adolescentes de 13 anos foram avaliados quantitativamente no âmbito do Projecto EPITeen, da FMUP, mostrou que 19,9 por cento dos adolescentes já tinha experimentado fumar, 1,8 por cento fumava ocasionalmente e 1,3 por cento fumava pelo menos um cigarro por dia.

 

Estes resultados foram complementados com um estudo qualitativo, em que 30 desses adolescentes (15 rapazes e 15 raparigas) foram entrevistados com o objectivo de avaliar as representações sociais subjacentes ao comportamento de fumar.

 

A pressão do grupo foi apontada como uma das principais causas para começarem a fumar e os jovens relacionam o acto com um desejo de emancipação, sendo que alguns adolescentes referem também a vontade de experimentar.

 

Os investigadores da FMUP perceberam que os adolescentes têm consciência de algumas das implicações do tabagismo na saúde.

 

"Eles sabem que fumar faz mal e são capazes de associar o tabagismo a um maior risco de sofrer de cancro do pulmão ou doenças respiratórias e de morrer. No entanto, as informações de que dispõem não os impedem de fumar", esclarece a coordenadora do estudo, Sílvia Fraga.

 

De acordo com a investigadora, "os adolescentes parecem não se reconhecer como alvo das campanhas de sensibilização que se centram nas consequências a longo prazo".

 

"Essa poderá ser uma das razões da sua ineficácia junto dos jovens. Aliás, os adolescentes mostram-se cansados das campanhas e propõem, como estratégia preventiva, medidas repressoras nas escolas", acrescenta.

 

Sílvia Fraga considera, por isso, que "é importante desenvolver novas campanhas que realcem as consequências do consumo de tabaco na adolescência" para estimular uma mudança de comportamentos, e propõe que os programas escolares de promoção da saúde se foquem em melhorar a capacidade dos adolescentes controlarem a pressão do grupo.

 

Os resultados deste estudo servem de mote a um evento organizado pela Faculdade de Medicina do Porto e dirigido a escolas a realizar no Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala na terça-feira.

 

O evento tem como tema as ‘Consequências do Tabagismo na Adolescência’ e decorrerá entre as 10h00 e as 13h00, na Aula Magna da faculdade.

Do programa consta a apresentação dos resultados do estudo de Sílvia Fraga, seguindo-se uma intervenção de José Agostinho Marques (pneumologista e director da FMUP) sobre as consequências do tabagismo na adolescência a curto e médio prazo. No encerramento, Miguel Ricou, psicólogo e investigador da FMUP, falará sobre a relação entre os adolescentes, os amigos e o tabaco.

Fumar tabaco jovens
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