Presidente da câmara diz que "ninguém explicou o critério de inclusão de municípios" na lista de apoios.
O presidente da Câmara de Tábua vai solicitar ao Governo que os municípios que não estão contemplados pelos apoios anunciados no domingo possam também receber ajuda financeira e lamentou hoje a falta de transparência dos critérios de inclusão.
"Continuamos a não entender porque é que não há aqui algum critério também de apoio [aos municípios que não foram incluídos nas medidas de ajuda] e é isso que devemos apelar, para que o Governo possa também olhar para estes locais, que já estão com bastantes prejuízos", disse hoje Ricardo Cruz em declarações à agência Lusa.
O apelo vem no sentido de que o Governo português também encontre "uma linha de financiamento ou de apoio" que alcance Tábua, um concelho que enfrentou "as mesmas depressões e as mesmas intempéries" que atingiram o resto do país.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
"Ainda ninguém explicou o critério de inclusão de municípios nesta questão da lista. Não é um critério claro”, lamentou.
O apelo “é para que a medida que está a ser aplicada aos municípios que tiveram estragos ainda mais avultados” possa também beneficiar aquele concelho do interior do distrito de Coimbra.
Como explicou, os seguros particulares e os seguros da autarquia têm de ser sempre acionados em primeira instância, mas depois estradas, derrocadas e muros de suporte, por exemplo, não estão incluídos na cobertura das seguradoras.
O pedido da Câmara Municipal será dirigido ao Ministério da Economia e da Coesão Territorial, tendo os estragos locais sido estimados em mais de um milhão de euros.
Num balanço sobre as ocorrências que estão a reter a atenção dos meios, Ricardo Cruz apontou a queda de um muro do campo do Grupo Desportivo Tabuense, que destruiu dois veículos e postes de iluminação, por volta das 20:00 de quarta-feira.
Devido ao mau tempo, “o muro ruiu completamente”, com estragos apenas a nível material, sem deixar feridos e sem provocar cortes de eletricidade.
A subida do nível de água levou a que estradas ruíssem (ocasionando problemas de circulação em estradas secundárias) e tornou a deixar a zona da praia fluvial da Ronqueira alagada, bem como algumas zonas ribeirinhas.
Por volta das 12:00 de hoje, o líder camarário garantiu que as aulas prosseguiam nas escolas e que os serviços públicos se mantinham em funcionamento.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
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