No ano letivo de 2024/2025, os dados oficiais anuais mais recentes, "havia 2.078.116 alunos inscritos no sistema educativo português, mais 9.326 do que no ano letivo anterior".
A taxa de conclusão do ensino secundário é mais baixa em Lisboa, Setúbal e Algarve, num contexto em que há menos alunos nos escalões mais baixos e mais estudantes no ensino superior, particularmente estrangeiros, segundo um relatório da Pordata.
Dados coligidos pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, através da sua base estatística Pordata, indicam que persistem "fortes diferenças territoriais, mudanças na composição da população escolar e desafios na transição entre níveis de ensino, na conclusão dos estudos e na renovação dos professores do ensino básico e secundário".
Um dos dados de relevo é a diferença na conclusão do 12.º ano, referem os autores: "No ensino secundário, as regiões da Grande Lisboa, Península de Setúbal e Algarve são as que registam as mais baixas taxas de conclusão nos três anos previstos, sobretudo na rede pública".
No Norte, "81% dos alunos que iniciaram um curso geral de secundário numa escola pública, em 2020/21, concluíram-no três anos depois, algo que só aconteceu a 67% dos alunos das escolas públicas da região da Grande Lisboa", uma situação que se agrava nos casos de cursos profissionais, com apenas 56% dos alunos a concluírem essa formação.
Já "no 3.º ciclo do ensino básico (7º, 8º e 9º anos), as regiões Norte e Centro apresentam, de forma consistente, taxas de conclusão nos três anos previstos acima da média nacional de referência, geralmente superiores a 90%", com a Grande Lisboa e o Algarve a ficarem abaixo dos 85% em 2022/23.
No ano letivo de 2024/2025, os dados oficiais anuais mais recentes, "havia 2.078.116 alunos inscritos no sistema educativo português, mais 9.326 do que no ano letivo anterior", que resulta de mais 9 mil alunos no primeiro ciclo e de quase 8 mil no ensino superior, refere o estudo.
"Esta tendência contraria as previsões baseadas na natalidade e reflete, em grande medida, o forte crescimento populacional relacionado com o aumento da imigração", verificando-se, ao invés, uma "quebra de quase 4 mil alunos no pré-escolar e de mais de 3 mil no ensino secundário".
"Os infantários da rede privada, incluindo a rede privada subsidiada pelo Estado, abrangem mais de 45% das crianças que frequentam o pré-escolar, menos cerca de 2 pontos percentuais do que há cinco anos", pode ler-se.
Já "no ensino básico e no ensino secundário geral, cerca de 12% a 14% dos alunos, consoante o ciclo, frequentam escolas privadas", um valor que aumenta no ensino médio profissional, onde o setor privado "já representa quase metade do total".
No que respeita aos estrangeiros, os dados de 2023/24 -- os mais recentes com este grau de segmentação -, contabilizavam-se "206.011 alunos com um ou ambos os pais de nacionalidade estrangeira" no ensino pré-escolar, básico e secundário.
A presença de estudantes estrangeiros no ensino superior também tem vindo a crescer a um ritmo de "mais 4 mil alunos ao ano em média".
"Nos últimos 15 anos, o número de estudantes estrangeiros quadruplicou, passando de 20 mil para 80 mil alunos" em 2024/2025, um "crescimento que é particularmente expressivo nos mestrados integrados, onde o número de alunos estrangeiros aumentou sete vezes, passando de 3.282 alunos em 2010 para 22.523 em 2025", pode ler-se.
Brasil, Angola, Guiné-Bissau, França e Itália eram os cinco países com mais alunos inscritos no ensino superior português, em 2024/25, refere a Pordata.
No ano letivo de 2024/2025, "o ensino superior ultrapassou os 456 mil inscritos, mais 2% do que no ano anterior, mais 15% do que há cinco anos e mais 30%" do que em 2015.
Além disso, "em Portugal, o número de novos inscritos no ensino superior em áreas STEM (acrónimo em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) tem vindo a crescer em número e em proporção", com mais quase 10 mil alunos em 10 anos (17.304 para 27.193).
Por outro lado, a taxa de abandono, um ano após o ingresso, sem que seja para mudar de curso ou instituição, "chegou a atingir os 30% das entradas em 2022/2023 ou 2023/2024", uma tendência maior nas formações com nota média de entrada mais baixa.
Já no que respeita à formação de professores, uma das carências maiores no país, o volume de novos licenciados (dois mil por ano) é inferior à saída de docentes por reforma (três mil por ano).
Os "educadores de infância e professores do 1.º e 2.º ciclos representam cerca de 40% dos novos diplomados nos mestrados em ensino" e "os professores das disciplinas do 3.º ciclo e secundário representam apenas 20%", pode ainda ler-se.
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