Cientistas esperam que o telescópio comece a recolher os primeiros dados em 08 de abril.
Uma equipa de 12 investigadores portugueses vai instalar no deserto do Chile um telescópio solar que funcionará remotamente e que permitirá observações de elevada resolução a partir de Portugal, disse à Lusa fonte académica.
"É quase como se fosse um robot. Talvez seja necessário ir lá uma vez por ano para programar alguma coisa, mas as observações vão ser controladas a partir de Portugal", explicou o engenheiro físico Alexandre Cabral, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
O grupo, constituído por especialistas do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, com elementos das universidades de Lisboa e do Porto, parte no sábado para o Observatório do Paranal, no deserto de Atacama, onde durante três semanas procederá à instalação do novo telescópio, apresentado como um instrumento com um nível de detalhe inédito.
O equipamento, denominado POET (Paranal solar EXPRESSO Telescope) foi construído em parte nos laboratórios de Ciências da Universidade de Lisboa.
“As coisas foram testadas em Portugal, parte da estrutura foi fabricada em Itália”, revelou a mesma fonte.
Os cientistas esperam que o telescópio comece a recolher os primeiros dados em 08 de abril e que possa contribuir para uma melhor compreensão do que se passa nas estrelas, assim como nos exoplanetas e sistemas estelares semelhantes à Terra.
“Vamos conhecer melhor o nosso sol e vamos poder estudar melhor alguns exoplanetas”, indicou Alexandre Cabral, que integrará a missão.
De acordo com o investigador, mais do que descobrir novos exoplanetas, a equipa espera conseguir obter mais informação sobre os existentes: “Neste momento, foram já detetados perto de 6.000 exoplanetas na nossa galáxia. O que se pretende agora não é tanto descobrir mais, é estudar os que são mais semelhantes com a Terra, onde existe mais probabilidade de existir vida”.
O telescópio desenvolvido em Portugal ficará instalado a 2.600 metros de altitude, num dos maiores observatórios, em termos de astronomia.
De acordo com o investigador, todos os outros telescópios existentes no Observatório do Paranal estão preparados para fazer observação durante a noite, das galáxias, das estrelas.
“É muito difícil compreender algumas coisas que se passam nas estrelas, porque há muito ruído causado pelo próprio planeta. No fundo, é quase usar o sol como cobaia das outras estrelas”, acrescentou, ao descrever as funções do instrumento.
“Vamos conhecer melhor o nosso sol e vamos poder estudar melhor alguns exoplanetas. Todos estes desenvolvimentos são sempre um passo à frente naquilo que já existe. Mais tarde, traz sempre muitos resultados”, referiu o engenheiro.
O investigador acrescentou que este será o único telescópio capaz de observar a luz solar com tanta precisão.
“Neste momento não existe nenhum instrumento com capacidade para fazer o mesmo”.
Alexandre Cabral exemplificou que o desenvolvimento de muitas das câmaras de telemóveis se iniciou com a astronomia, com o investimento feito para os sensores na astronomia, que se tornou tecnologia banal.
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