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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Testagem nas escolas seria "bem-vinda" mas a decisão é da Saúde, explica ministro da Educação

Sobre profissionais das escolas não integrarem grupos prioritários de vacinação, ministro lembra reduzido número de doses.

12 de janeiro de 2021 às 18:00

O ministro da Educação admitiu hoje que seriam "bem-vindas" às escolas formas de rastreio e despistagem de covid-19, mas referiu que a realização de testes são decisões da área da saúde.

"A senhora deputada pergunta-me se eu e a minha equipa, o Ministério da Educação e os diretores veríamos com bons olhos todo e qualquer método para mitigar a propagação em ambiente escolar e eu posso dizer-lhe que sim", afirmou Tiago Brandão Rodrigues, no parlamento, em resposta à deputada do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua.

O ministro está a ser ouvido esta tarde na Comissão de Educação, onde os deputados do PSD e Bloco de Esquerda o questionaram sobre algumas das medidas que têm sido pedidas por diretores escolares e sindicatos de professores.

A realização de testes rápidos é uma das exigências dos docentes, que acreditam que poderia controlar a propagação do vírus e aumentar a confiança nas escolas: "Se esses testes existirem e puderem ser canalizados, obviamente serão bem-vindos e nós queremos recebe-los", afirmou Tiago Brandão Rodrigues.

No entanto, o ministro lembrou que esta matéria "não é o 'core business'" da educação e por isso têm "recorrido às autoridades de saúde e tem corrido bem".

A deputada do PSD Carla Madureira questionou também o ministro sobre a hipótese de os profissionais escolares passarem a integrar os grupos prioritários de vacinação, tal como também vem sendo pedido por sindicados e diretores escolares.

"Todos os rastreios que as autoridades de saúde entendam ser positivos são saudados e bem-vindos pelo Ministério da Educação, como é óbvio. O mesmo disse sobre a vacinação. Mas não sou eu que me vou interpor no meio das prioridades que um conjunto de peritos e a DGS definiu como prioridades, como a taxa etária ou serem profissionais de saúde", respondeu o ministro.

Sobre os profissionais das escolas não integrarem neste momento os grupos prioritários de vacinação, o ministro lembrou ainda que existe um "número limitado de vacinas contra a covid-19".

A deputada Carla Madureira questionou também sobre a plataforma criada pelo ministério para registar os casos detetados de infeção por covid em ambiente escolar, acusando o ministério de esconder os números e parecer servir apenas para "aumentar a burocracia" de quem trabalha nas escolas.

Também a deputada do Bloco de Esquerda quis saber quais as medidas previstas para reforçar "a clareza do número de focos e casos nas escolas".

Tiago Brandão Rodrigues garantiu que o ministério "não esconde nada às escolas nem às comunidades educativas", lembrando os dados divulgados com regularidade pela Direção-Geral da Saúde.

O ministro da Educação apelou ainda a um "amplo consenso" na defesa de manter as escolas abertas, alertando que o seu encerramento irá prejudicar "irremediável e precipitadamente" o percurso de aprendizagem dos alunos mais frágeis.

O ministro lembrou que no primeiro período de aulas, os estabelecimentos de ensino mostraram ser "espaços de segurança face à pandemia".

Tiago Brandão Rodrigues disse que a "escola não acaba com o toque de saída" e enumerou algumas das medidas implementadas pelo executivo, como o regresso do programa #Estudo em Casa ou o reforço de assistentes operacionais e docentes.

Uma visão que não foi partilhada pelos deputados dos restantes partidos políticos, que lembraram que existem escolas onde ainda faltam professores ou de ainda não estarem nas escolas os três mil funcionários prometidos.

A falta de condições nas escolas e as notícias de alunos que passam frio durante as aulas também foram abordadas na audição.

A deputada do CDS-PP, Ana Rita Bessa, referiu também que ficou por cumprir a promessa feita no passado ano letivo pelo primeiro-ministro de que este ano todos os alunos teriam um computador: "Azar dos azares" o agravamento da situação pandémica veio revelar que "não há computadores para entregar a todos", disse.

O ministro anunciou hoje que foram comprados mais 335 mil computadores que serão em breve entregues nas escolas, os quais se juntam aos 100 mil que foram distribuídos pelos alunos no anterior período.

"Temos muito trabalho para fazer nas nossas escolas", reconheceu Tiago Brandão Rodrigues, lembrando que está a ser levado um projeto para garantir um "acesso seguro e de qualidade à internet".

Além dos equipamentos distribuídos pelos alunos, o programa prevê a "instalação pela primeira vez nas escolas de laboratórios de educação digital com equipamentos especializados para projetos, testes, impressoras de 3D, dotando também as escolas de equipamentos complementares aos computadores individuais, designadamente projetores interativos e recursos de conteúdos digitais", explicou o ministro.

Sobre o plano de capacitação digital dos professores, o ministro lembrou que há "15 milhões de euros para capacitar digitalmente os docentes".

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