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Correio da Manhã

Sociedade
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Todos os dias dez enfermeiros pedem para emigrar

Todos os dias, uma média de dez enfermeiros pede à Ordem a documentação necessária para trabalhar no estrangeiro. Este ano já foram 1072, quase o dobro do total registado em 2009, segundo dados daquela entidade.
13 de Julho de 2012 às 08:46
Enfermeiros, emigração, SNS, saúde
Enfermeiros, emigração, SNS, saúde FOTO: D.R.

Os dados da Ordem dos Enfermeiros (OE) indicam que, em 2009, 609 destes profissionais solicitaram à OE a "Declaração das Directivas Comunitárias" para trabalhar no estrangeiro, número que subiu para 1030 em 2010 e para 1724 em 2011.

"A OE compreende que muitos enfermeiros procurem no estrangeiro a possibilidade de exercer a profissão que escolheram e lamenta as políticas de emprego público, que não investe em recursos qualificados que o país possui", refere uma resposta escrita da OE enviada à Lusa.

Para a OE, Portugal está a "exportar" profissionais de que precisa, uma vez que se estima que as unidades de saúde portuguesas necessitem de 10 a 15 mil enfermeiros.

Alertou ainda que os enfermeiros devem ter "cuidados acrescidos" na assinatura de contratos para o estrangeiro, na sequência de ter tido conhecimento de eventuais práticas de recrutamento impróprias.

Segundo um estudo da OE, os países de eleição para a emigração dos jovens enfermeiros são Espanha (2,2%), Inglaterra (2,1%), Suíça (1,2%), França (1,9%) e Canadá (0,1%).

A Ordem dos Médicos (OM) também registou um aumento do número de profissionais que optam por ir trabalhar para o estrangeiro.

"Há cada vez mais médicos portugueses a irem trabalhar para outros países porque, infelizmente, não lhes são oferecidas condições mínimas para se manterem em Portugal", disse à Lusa o bastonário da OM.

Assim, quando lhes "oferecem condições muitíssimo mais atractivas e, sobretudo, perspectivas de progressão profissional é evidente que eles optam por países estrangeiros", adiantou José Manuel Silva.

Por outro lado, observou, "com o encerramento progressivo do Serviço Nacional de Saúde, cada vez há menos vagas para os jovens tirarem a sua especialidade".

Para o bastonário, o "recrutamento activo por parte de países europeus de médicos portugueses é um sinal claro da excelência dos médicos e especialistas formados em Portugal, que é reconhecida nesses países".

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