A proposta do CESP prevê um aumento do salário de 50 euros para todos os trabalhadores e 650 euros para o salário mínimo da tabela.
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Cerca de 50 trabalhadores da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) concentraram-se esta quarta-feira em frente à Câmara, exigindo aumentos salariais e o fim da precariedade.
Os trabalhadores, concentrados junto ao edifício dos Paços do Concelho, exibiram cartazes com mensagens como "mais de nove anos congelados de salários roubados", "chega de precariedade, exigimos efetividade" e "lucros de milhões, para os trabalhadores nem tostões".
Numa faixa segurada por alguns dos protestantes lia-se também: "Não nos bloqueiem a vida, aumento dos salários já!".
Segundo Ana Pires, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), o sindicato entrou em negociações com a administração da EMEL em setembro de 2018, com base no Acordo de Empresa assinado em julho de 2017, para aumentos salariais, congelados há mais de nove anos.
"Nós temos um acordo de empresa, apresentámos uma proposta de revisão salarial, e a empresa escuda-se num argumento de que, enquanto a câmara não definir política salarial, não pode discutir salários connosco", disse Ana Pires à Lusa, durante a concentração dos trabalhadores da EMEL em frente ao edifício dos Paços do Concelho, onde decorre esta quarta-feira à tarde a reunião pública de câmara.
"Este argumento é de todo falacioso, porque a Câmara Municipal de Lisboa não define política salarial. Existe um acordo de empresa negociado entre a EMEL e o sindicato representativo dos trabalhadores e o que nós queremos é que a EMEL negoceie e apresente uma proposta e que vá ao encontro das reivindicações dos trabalhadores", defendeu a dirigente.
A proposta do CESP prevê um aumento do salário de 50 euros para todos os trabalhadores e 650 euros para o salário mínimo da tabela.
Ana Pires defendeu que "é mais do que justo o aumento do salário, e sem qualquer restrição, hoje com a condição financeira que esta empresa tem, que está espelhada naquilo que são os seus resultados, e até nos investimentos avultados que estão previstos para os próximos anos de muitos milhões de euros".
Presente nesta concentração de trabalhadores da EMEL, o secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, reiterou à Lusa que "não se justifica que, até ao momento, a empresa ainda não tenha" procedido à "atualização anual dos salários destes trabalhadores", pedindo que a empresa "assuma as suas responsabilidades sociais e promova de imediato a negociação com o sindicato para aumentar os salários dos trabalhadores".
"Não é possível continuarmos a assistir a uma situação em que outros trabalhadores de outras empresas públicas já tenham sido aumentados e estes trabalhadores, também de uma empresa pública, continuem à espera do respetivo aumento", notou Arménio Carlos.
O secretário-geral da CGTP-IN referiu também que, se a empresa ou o município lisboeta "não responderem a estas reivindicações, os trabalhadores da EMEL não deixarão de refletir e decidir sobre novas formas de luta que venham a tomar".
"Mas uma coisa é certa, amanhã não acusem os trabalhadores da EMEL de serem os responsáveis pelo conflito. Acusem, nessa altura, se porventura chegarmos à situação de greve, os responsáveis da administração da EMEL por terem levado os trabalhadores a serem forçados a ir para a luta", concluiu.
Em resposta à dirigente sindical Ana Pires, que interveio na reunião pública da autarquia, o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, João Paulo Saraiva (PS), garantiu que "em breve as negociações vão ser retomadas e vão começar a haver repostas sobre as reivindicações da EMEL".
O autarca justificou que o conselho de administração da empresa municipal "esteve a fazer um trabalho profundo sobre toda a política salarial", admitindo que "isso demorou algum tempo".
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