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Correio da Manhã

Sociedade
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Trabalhadores do Hospital Santa Maria protestam contra os horários

Os trabalhadores do Hospital de Santa Maria admitiram esta quarta-feira ter receio de "repercussões" na sua vida pessoal e laboral por exigirem a reabertura da negociação dos horários, justificando desta forma a pequena adesão ao protesto desta manhã.
4 de Julho de 2012 às 11:19
Trabalhadores com  receio de "repercussões" na sua vida pessoal e laboral
Trabalhadores com receio de 'repercussões' na sua vida pessoal e laboral FOTO: José Goulão/Lusa

"Esta coisa dos horários influencia muito a vida das pessoas, e, de forma mais directa ou indirecta, quando tomamos uma posição muitas vezes temos repercussões. E conhecemos vários [casos]", disse  Margarida Brissos, trabalhadora do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e delegada sindical do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP)

"Acredito que não seja o conselho de administração a fazê-lo, mas há repercussões para os trabalhadores. [...] Todos os trabalhadores que vieram - além dos sindicalizados -- constituem uma vitória, porque dar a cara à porta do hospital é uma demonstração de coragem", acrescentou.

A iniciativa foi marcada pelos Sindicato Nacional dos Psicólogos, Sindicato da Função Pública Sul e Açores e Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e reuniu à porta do hospital cerca de uma dezena de sindicalistas e trabalhadores que distribuíram panfletos para alertar para o que dizem ser uma "desregulação total dos horários", com efeitos não só para os profissionais, mas também para os utentes.

"Estivemos aqui a consciencializar os utentes de que lhes querem retirar mais um bocadinho do Serviço Nacional de Saúde. Vão ser penalizados, porque há uma hora de pausa, em que não lhes vão ser prestados os melhores cuidados", defendeu Margarida Brissos.

A hora de pausa em questão está prevista no regulamento interno de horários que impõe um intervalo obrigatório de uma hora para almoço, em detrimento da jornada contínua de trabalho.

"As rotinas dos hospitais estão planeadas com a jornada contínua. Parar uma hora e sair uma hora mais tarde não se adequa e é impossível. Para os trabalhadores isto cria problemas concretos, a maior parte trabalha mais uma hora sem conseguir fazer a pausa de uma hora de almoço", declarou a representante do SEP.

Outra questão do protesto prende-se com a necessidade de regularização de situações relativas ao chamado "banco de horas", que, apesar de não estar ainda em vigor, já é aplicado há muito tempo no hospital de forma "abusiva e ilegal".

Margarida Brissos referiu que o banco de horas tem sido gerido pelos serviços hospitalares com alguma "criatividade" e deu exemplos de funcionários que já acumularam cerca de 50 horas de serviço e que aguardam indefinidamente que elas lhes sejam atribuídas, ou outros casos, em que os trabalhadores chegam ao hospital para serem de seguida dispensados do serviço, por não haver trabalho.

"Na realidade deixamos de ter vida pessoal. Passamos a estar praticamente de prevenção todos os dias, sempre à disposição. Tentamos resolver isto com as chefias intermédias, mas não é possível porque existem variadíssimas formas de pressão", acusou a sindicalista.

Existe um processo negocial para um novo regulamento interno de horários em aberto desde Dezembro, mas os sindicatos dizem que não tem sido possível chegar à fala ou marcar qualquer reunião com o conselho de administração do Hospital de Santa Maria.

A possibilidade de convocar uma greve não está, para já, em cima da mesa, e dependerá da decisão dos trabalhadores, mas sublinhou que é "inaceitável esta desregulação total dos horários de trabalho, imposta unilateralmente com pressões e sem utilização da lei".

 

 

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