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Correio da Manhã

Sociedade

Três votos contra diretor do DCIAP

O nome escolhido pela procuradora-geral da República (PGR) para dirigir o DCIAP – Departamento Central de Investigação e Ação Penal foi ontem aprovado no Conselho Superior do Ministério Público com 16 votos a favor, mas teve três votos contra.
1 de Março de 2013 às 01:00

A votação foi secreta, e apenas um dos conselheiros, José Luís Bonifácio Ramos, assumiu o seu voto negativo. Segundo apurou o CM, o membro eleito pela Assembleia da República considerou que o nome proposto pela PGR "faz parte da agenda do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público [SMMP]". No entanto, Amadeu Guerra é uma exceção no universo da magistratura, que tem uma taxa de sindicalização que ronda os 90 por cento, e não é sindicalizado. Esta foi, aliás, a resposta dada por Joana Marques Vidal ao conselheiro. O presidente do SMMP, Rui Cardoso, emitiu uma curta declaração a felicitar a nomeação de Amadeu Guerra, desejando-lhe votos de sucesso.

Amadeu Francisco Ribeiro Guerra, de 58 anos, natural de Tábua, está há 33 anos no Ministério Público e é, desde 2004, procurador-geral-adjunto. Encontra-se atualmente como coordenador no Tribunal Central Administrativo do Sul, mas vai suceder a Cândida Almeida na liderança do DCIAP, estando a tomada de posse marcada para o dia 11 de março.

Descrito como um magistrado competente, sério, e até "brilhante", Amadeu Guerra é sobretudo muito discreto. Apesar de ser convidado frequentemente a participar em conferências, são poucas as imagens que existem do magistrado. Numa das suas últimas intervenções públicas, no Congresso do Sindicato, há um ano, Amadeu Guerra fez uma intervenção sob o tema ‘Saneamento e Transparência das Contas Públicas', onde defendeu que "não ajuda ao prestígio do Ministério Público a perceção de que corrupção e crimes económico-financeiros não têm resultados".

MAGISTRADO DESCONHECIDO ATÉ NA TERRA NATAL

A escolha de Amadeu Guerra para dirigir o DCIAP era ontem um dos temas mais falados em Tábua, vila do distrito de Coimbra de onde é natural o magistrado. No entanto, na localidade ninguém o conhece. Na câmara municipal, nos escritórios de advogados, cafés e restaurantes, ninguém conhece Amadeu Guerra, ali nascido há 58 anos, nem a sua família. "Possivelmente terá saído muito novo daqui. Não conheço nenhuma família com o apelido Guerra", referiu um habitante.

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