30 municípios situam-se em territórios de baixa ou parcialmente baixa densidade, o que acentua a necessidade de atenção por parte das políticas públicas.
Em 2025 havia 30 municípios portugueses, num total de 308, sem qualquer equipamento das redes culturais nacionais, de acordo com um estudo do Observatório Português das Atividades Culturais (OPAC), a que a Lusa teve acesso.
Os 30 municípios situam-se "em territórios de baixa ou parcialmente baixa densidade, o que acentua a necessidade de atenção por parte das políticas públicas", lê-se no estudo "Redes culturais nacionais do Ministério da Cultura: indicadores de monitorização 2025".
Portugal tem atualmente cinco redes sociais nacionais - Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP), Rede Portuguesa de Museus (RPM), Rede Portuguesa de Arquivos (RPA), Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP) e Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC) - da responsabilidade do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, em articulação com a administração local e, em alguns casos, com entidades privadas.
Embora no ano passado fossem 30 os municípios sem qualquer equipamento, este número baixou em relação a 2022. Em termos de percentagem, em 2022 estes concelhos representavam 14% do total de municípios portugueses, valor que em 2025 era de 9,6%.
O OPAC recorda que os equipamentos integrados nas cinco redes "não esgotam os do mesmo tipo existentes no país -- longe disso - referem-se apenas aos credenciados, ou seja, os que foram aceites como membros das redes mediante o cumprimento de um conjunto de critérios que são conhecidos e aceites".
Das cinco redes culturais, a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP), a primeira a ter sido criada, em 1986, é "claramente dominante no panorama nacional", tanto em número (262, em 262 municípios) como em percentagem (85,1%) de municípios com equipamentos que dela fazem parte.
Esta rede tem "uma forte implantação por todo o território, sobretudo no continente", registando-se "relativa rarefação de bibliotecas na rede mais nos municípios do interior Norte, na Comunidade Intermunicipal (CIM) do Douro, no Alentejo na CIM Alentejo Central, e no Algarve, assim como nas Regiões Autónomas" dos Açores e da Madeira.
A Rede Portuguesa de Museus (RPM), criada em 2000, que em 2025 contava com 175 equipamentos, mas em apenas 96 municípios, "em todas as regiões do país, de várias tutelas, públicas e privadas e tipos de coleções".
Nesta rede, verifica-se uma maior concentração de museus no Norte e na Grande Lisboa. Estas duas regiões concentram 57,1% do total dos equipamentos.
Os concelhos de Lisboa, Porto e Sintra são os que têm o maior número de equipamentos integrados na RPM: 28, 15 e 10, respetivamente.
A Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP), criada em 2019, contava no final do ano passado com 103 equipamentos em 93 municípios.
Segundo o OPAC, "constata-se uma já relativa disseminação pelo território, incluindo as duas regiões autónomas",embora a maior concentração se verifique em municípios das regiões Centro (30,1%), sobretudo nos concelhos localizados nas CIM de Aveiro e Coimbra, e Norte (24,3%), acima de tudo na Área Metropolitana do Porto, Alto Minho e Ave.
A Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC), criada em 2021, contava no final do ano passado com 97 equipamentos credenciados, situados em 47 municípios, "verificando-se a existência destes equipamentos em municípios de todas as regiões do país".
"Com maior incidência constata-se a existência de equipamentos integrados na RPAC em municípios da região Norte (33,0%), com destaque para os situados na Área Metropolitana do Porto. Segue-se a Grande Lisboa (22,7%), onde os equipamentos integrados na RPAC se localizam, sobretudo, no município de Lisboa, e na região Centro (20,6%), com destaque para os municípios das CIM das Regiões de Coimbra e Aveiro", lê-se no documento.
Por fim, a Rede Portuguesa de Arquivos (RPA), criada em 2008, tinha no ano passado 57 equipamentos, geridos por entidades públicas e privadas, em 40 municípios.
A maioria destes equipamentos localizam-se na Grande Lisboa (29,8%) e no Norte (26,3%), com as duas regiões a concentrarem mais de metade dos arquivos da rede.
A Região Autónoma dos Açores é a única em Portugal sem qualquer equipamento na RPA.
O maior número de arquivos integrados na rede concentra-se em Lisboa (12), seguindo-se o Porto e Évora (ambos com três) e Aveiro e Leiria (com dois cada).
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