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Correio da Manhã

Sociedade
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Tripulação sem comida nem água

Há dois meses que os oito tripulantes do navio ‘Funchal’ passam dificuldades. “Não há luz, comida e nem água para tomar banho. Passamos frio, para nos aaquecermos usamos várias peças de roupa” contou ao CM um dos tripulantes. Os salários estão por pagar desde Setembro. “Para comer temos de pôr do nosso dinheiro, compramos o mais barato, não sabemos quando voltamos a receber”.
27 de Novembro de 2012 às 01:00
Navio ‘Funchal’ está no cais da Matinha, em Lisboa
Navio ‘Funchal’ está no cais da Matinha, em Lisboa FOTO: Bruno Colaço

A tripulação já pediu para abandonar o navio mas a situação que vivem é um misto de emoções: "O ‘Funchal' morre aqui, não podemos continuar sem salários. A nossa família diz para abandonarmos isto, mas conheço este barco como as palmas das minhas mãos, vê-lo assim é triste. Quando sairmos fica uma vida, ficam os sonhos que vivemos e uma mágoa muito grande", contou outro tripulante.

Esta mesma história repete-se com outros 50 tripulantes portugueses que estão nos quatro cruzeiros da WCA arrestados há mais de um mês nos portos de Marselha (França), Creta (Grécia) e Kotor (Montenegro). No total, são mais de 300 tripulantes nos quatro navios - ‘Princess Daphne', ‘Princess Danae', ‘Arion' e ‘Athena' -, que sobrevivem com a comida que resta nas despensas ou com o pouco dinheiro que lhes resta. Um drama que é vivido a bordo do histórico ‘Funchal'.

O paquete já viu melhores dias: atracou no cais da Matinha, em Lisboa, a 16 de Setembro de 2010 para remodelações. Nunca mais de lá saiu. Os trabalhos pararam em Junho de 2011 por falta de pagamento, altura em que a empresa detentora do barco- World Cruises Agency (WCA) - começou a sentir dificuldades. "Foi mais ao menos por essa altura que começaram as dificuldades financeiras, mas nunca ficámos com salários em atraso" disse ao CM um dos funcionários da WCA. A empresa foi criada por George Potamianos, armador grego, que a dirigiu até morrer, em Maio deste ano. Desde aí, a WCA ficou ao cuidado dos filhos de George, Alexandros e Emilios Potamianos. "Na altura em que o senhor George Potamianos era vivo nunca sentimos estas dificuldades, tínhamos o salário na conta antes do final do mês, lá para dia 25" contou ao CM um dos funcionários da empresa. "Era uma pessoa impecável, com quem se podia falar, nada a ver com os filhos", lamentou um dos tripulantes do ‘Funchal'.

Ao CM, Alexandre Delgado, Presidente da Federação dos Sindicato dos trabalhadores do Mar (FESMAR), diz que estão a ser feitos os possíveis para  ajudar os portugueses que integram as tripulações dos barcos arrestados. "Queremos trazer os tripulantes de volta a casa. Os armadores só nos dizem que não têm dinheiro. Estamos a analisar com o gabinete jurídico a situação e pretendemos mover um processo-crime contra os armadores."

O Correio da Manhã tentou contactar por diversas vezes os irmãos Emilios e Alexandros Potamianos, mas sem sucesso.

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