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Correio da Manhã

Sociedade
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Troca de defunto choca família

Ana Paula Carvalho já não sabe quem é o morto que enterrou. Acreditava ter feito o funeral ao irmão, António Carvalho, a 12 de Fevereiro de 2012, no cemitério de Arrentela, Seixal. Mas a 10 de Maio foi notificada para levantar o corpo do irmão, que está no Instituto de Medicina Legal (IML), em Lisboa. A suspeita da troca de cadáver levou Ana Paula a mover um processo-crime contra o IML.

20 de Maio de 2012 às 01:00
Ana Paula fez o funeral do irmão: o Instituto de Medicina Legal diz que o corpo ainda está na morgue
Ana Paula fez o funeral do irmão: o Instituto de Medicina Legal diz que o corpo ainda está na morgue FOTO: Helena Poncini

António tinha 49 anos, era divorciado e tinha dois filhos adultos. Vivia sozinho há muito tempo e trabalhava num restaurante no Cais do Sodré. No dia 2 de Fevereiro sentiu-se mal e foi transportado pelos bombeiros para a urgência do Hospital de São José. Faleceu no dia seguinte. Ana Paula só soube da morte alguns dias depois e a 9 de Fevereiro foi ao Instituto de Medicina Legal fazer o reconhecimento do cadáver. "Disseram-me que estava em mau estado e que bastava comparar a foto dele que o instituto tinha e uma foto que eu levei", explica ao CM.

Após o reconhecimento, tratou do funeral. Joaquim Belchior, da Agência Universal, foi à casa mortuária do Hospital de São de José (paredes--meias com o IML) e apresentou os documentos de António, tendo levantado o corpo.

O director da Delegação Sul do IML, Costa Santos, garante ao CM que o corpo de António Carvalho permanece há mais de três meses na morgue. "Ana Paula Carvalho veio fazer o reconhecimento por foto do irmão em Fevereiro mas nunca mais apareceu para levantar o corpo", diz. O responsável sublinha que "se a agência levantou o corpo de outra pessoa na casa mortuária do hospital, esse é um assunto alheio ao instituto, que fica localizado num edifício contíguo ao hospital." Questionada pelo CM, a administração do Hospital de São José garante que o cadáver estava "identificado com as etiquetas respectivas" e foi entregue à agência funerária, "cumprindo todos os trâmites".

HOSPITAIS NÃO EXIGEM PRESENÇA DE FAMILIARES

O presidente da Associação Nacional das Empresas Lutuosas, Nuno Monteiro, diz que alguns hospitais "não exigem a presença de um familiar para o levantamento do corpo". O São José é uma dessas unidades. Segundo Nuno Monteiro, São Francisco Xavier (Lisboa) e Garcia de Orta (Almada) também não exigem a presença do familiar, ao contrário do que acontece em Santa Maria e Curry Cabral, onde o levantamento do corpo só é feito com a presença de um familiar do defunto.

CADÁVER CORPO DEFUNTO LISBOA
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