Dos 308 municípios, apenas 200 possuem um PMAC, dois anos após o prazo legal para a sua elaboração ter expirado.
Um terço das câmaras portuguesas (108) continua sem planos municipais de ação climática e em "inconformidade legal", passados dois anos da data-limite imposta pela Lei de Bases do Clima para a sua implementação, foi esta quinta-feira anunciado.
As conclusões da 4.ª edição do Mapa de Ação Climática Municipal, que avalia o grau de compromisso e a evolução da ação climática dos municípios nacionais, foram apresentadas no evento Autarcas pelo Clima, realizado no Laboratório da Paisagem, em Guimarães, distrito de Braga, no âmbito da Guimarães Capital Verde Europeia 2026, em parceria com a empresa Get2C.
O estudo concluiu que "apesar de avanços significativos nos últimos quatro anos, apenas 200 dos 308 municípios têm um Plano Municipal de Ação Climática (PMAC) em vigor ou em consulta pública - o que coloca em inconformidade legal cerca de um terço dos concelhos portugueses".
Dos 308 municípios, apenas 200 (65%) possuem um PMAC, dois anos após o prazo legal para a sua elaboração ter expirado, ou seja, quatro anos depois da publicação da lei, frisa a consultora especializada no apoio a governos, municípios e empresas na resposta às alterações climáticas.
A Lei de Bases do Clima define as fundações da política climática nacional e assume o compromisso legal de atingir a neutralidade carbónica em 2050, ressalvando que essa meta pode ser antecipada para 2045. O diploma estipula que, até fevereiro de 2024, todos os municípios portugueses tivessem um PMAC aprovado pelas respetivas assembleias municipais.
"A data-limite imposta pela Lei de Bases do Clima expirou em fevereiro de 2024 e, dois anos depois, o incumprimento continua a marcar a realidade de um número significativo de municípios. A nova edição do mapa revela que, apesar de um progresso significativo face a 2024, a resposta municipal continua muito aquém do exigido pela legislação e pela urgência climática", sublinha a Get2C.
O Mapa de Ação Climática Municipal baseia-se em informação pública e em informação disponibilizada pelos próprios municípios, além de dados recolhidos através do projeto Compromissos Municipais para a Ação Climática, uma iniciativa da Get2C, empresa que também coordenou o Roteiro Nacional para a Neutralidade Carbónica.
Em termos de Planos Municipais de Ação Climática, o relatório "permite perceber que nas regiões da Grande Lisboa (89%), Centro (83%), Península de Setúbal (78%) e Norte (67%) mais de metade dos municípios adotou um Plano Municipal de Ação Climática ou encontra-se de momento com este documento em fase de consulta pública".
"Por outro lado, o Alentejo (47%) demonstra um menor ritmo de adoção, e na Região Autónoma da Madeira apenas se verificou a existência de um PMAC (9%)", lê-se no relatório da Get2C.
"Esta edição do Mapa de Ação Climática evidencia que continuamos a progredir em termos de cumprimento e de ações, mas de forma muito lenta. Torna-se claro que também nesta área existe um país a duas velocidades, ficando para trás aqueles que têm menos recursos, e que por sinal são os mais vulneráveis. Diria que a transição climática está em curso, mas a passos lentos e desiguais. É urgente acelerar", sublinha Jorge Cristino, gestor da Get2C.
Segundo o relatório do estudo, desde a primeira edição, em 2022, o mapa tem também permitido acompanhar a evolução do compromisso dos municípios com a neutralidade carbónica.
"Se, há quatro anos, apenas 11% dos municípios tinham assumido esse objetivo, na edição de 2025 este número subiu para 37%, representando um total de 114 municípios comprometidos com a neutralidade carbónica. Destes, 53 contam com estratégias ou roteiros específicos para alcançar este objetivo -- um crescimento impulsionado pela aprovação de vários PMACs ao longo dos últimos anos", explica a Get2C.
Outro "dado positivo" que o relatório comprova "prende-se com a adoção de Estratégias de Energia: 217 municípios contam com um plano neste setor, mais 40 do que no ano anterior".
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