page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

UNESCO declara "Bonecos de Estremoz" como Património Cultural Imaterial

Figuras são uma arte popular com mais de três séculos.

07 de dezembro de 2017 às 01:40

A UNESCO classificou esta quinta-feira como Património Cultural Imaterial da Humanidade a produção dos "Bonecos de Estremoz", em barro, uma arte popular com mais de três séculos.

A classificação da "Produção de Figurado em Barro de Estremoz", vulgarmente conhecida como "Bonecos de Estremoz", foi decidida na 12.ª Reunião do Comité Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, que decorre na Ilha Jeju, na Coreia do Sul, até sábado.

A decisão, que ocorreu pelas 01:05 (hora de Lisboa), foi bastante celebrada pela comitiva portuguesa que durante os festejos exibiu exemplares de "Bonecos de Estremoz".

Presente na sessão, o embaixador de Portugal na Coreia do Sul, Manuel Gonçalves de Jesus, mostrou-se "bastante satisfeito" com o reconhecimento da UNESCO.

"Foi uma vitória e desta vez nem foi no futebol, foi numa área muito importante que é preservar aquilo que é muito nosso", disse.

O diplomata saudou ainda os responsáveis da candidatura portuguesa, principalmente os artesãos que produzem os "Bonecos de Estremoz".

Na área de Património Cultural e Imaterial da Humanidade estavam inicialmente a concorrer 49 candidaturas, das quais 35 foram aprovadas, tendo no final recolhido parecer negativo 11.

Os "Bonecos de Estremoz" pertencem a uma arte de caráter popular, com mais de 300 anos de história, tendo sido o primeiro figurado do mundo a merecer a distinção de Património Cultural Imaterial da Humanidade, na sequência da candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Estremoz, no distrito de Évora.

A candidatura teve como responsável técnico o diretor do Museu Municipal de Estremoz, Hugo Guerreiro.

Com mais de uma centena de figuras diferentes inventariadas, a arte, a que se dedicam vários artesãos do concelho, consiste na modelação de uma figura em barro cozido, policromado e efetuada manualmente, segundo uma técnica com origem pelo menos no século XVII.

Em Estremoz, trabalham atualmente nesta arte emblemática Afonso e Matilde Ginja, Célia Freitas, Duarte Catela, Fátima Estróia, Irmãs Flores, Isabel Pires, Jorge da Conceição, Miguel Gomes e Ricardo Fonseca.

Presidente da Câmara "muito feliz" com classificação

O presidente do município de Estremoz, Luís Mourinha, manifestou-se hoje "muito feliz", após a UNESCO ter classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade a produção dos "Bonecos de Estremoz".

"No fundo é um momento grande da história de Estremoz em termos da sua classificação, das suas gentes, porque o figurado de barro representa tudo o que é o trabalho, tudo o que é a dificuldade dos alentejanos e dos estremocenses em particular", disse o autarca à agência Lusa.

De acordo com Luís Mourinha, a UNESCO valorizou os "Bonecos de Estremoz", uma arte popular em barro com mais de três séculos, pela "visão do artista, do artesão sobre a sua envolvência".

MNE saúda classificação

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, saudou esta quinta-feira o reconhecimento pela UNESCO dos "Bonecos de Estremoz" como Patrimiónio Imaterial da Humanidade, sublinhando que é uma afirmação do valor da cultura popular e das artes tradicionais portuguesas.

Augusto Santos Siva saudou tanto a Câmara Municipal de Estremoz, que "participou ativamente na apresentação da candidatura", como os artesão que preservam esta arte tradicional em Estremoz e chamou a atenção para o "duplo significado" deste reconhecimento.

"Por um lado, é a afirmação do valor e da cultura popular e das artes tradicionais portuguesas e, em segundo lugar, é também uma consciência do muito que temos que fazer para cultivar essas artes e preservar essas tradições", considerou o ministro.

Augusto Santos Silva chamou ainda a atenção para o facto de este ser o sétimo bem português classificado como Património Imaterial da Humanidade, depois da dieta mediterrânica, da arte da falcoaria, do fado e do cante alentejano, assim como o fabrico de chocalhos e a olaria de barro de Bisalhães.

Diretora de Cultura do Alentejo fala em distinção "muito relevante"

A diretora regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, considerou esta quinta-feira "muito relevante" e "motivo de grande orgulho" a classificação pela UNESCO da produção dos Bonecos de Estremoz (Évora) como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

"É um motivo de grande orgulho para nós. Desde logo para Estremoz, para a cidade, para a população e para os artistas e artesãos" locais, mas também "para o Alentejo e para Portugal", congratulou-se, em declarações à agência Lusa.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8