"As pessoas nem sempre estão disponíveis para, de repente, virem reforçar as equipas", disse diretora da urgência do CHTS.
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O Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHT) admitiu esta segunda-feira que a urgência do Hospital de Amarante enfrentou dificuldades com o número elevado de doentes em dezembro, apesar do reforço de meios.
Carla Freitas, diretora da urgência do CHTS (hospitais de Penafiel e Amarante), disse à Lusa que foi possível, em Amarante, em vários dias, aumentar o número de médicos, mas houve outros momentos em que isso não aconteceu, por falta de clínicos disponíveis.
"As pessoas nem sempre estão disponíveis para, de repente, virem reforçar as equipas", explicou.
Informou também que fora do pico da gripe "houve momentos em que foi necessário reforçar a equipa de urgência de Amarante".
"Isso é um esforço que nós fazemos, independentemente dos picos da gripe, e que têm a ver com os tempos de espera", reforçou.
Habitualmente acorrem à urgência daquela cidade cerca de 60 doentes, mas nos picos, como o de dezembro com a síndrome gripal, o número chegou aos 90.
Os dados foram esta segunda-feira divulgados aos jornalistas no final de uma visita que o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS-N), Pimenta Marinho, ao Hospital Padre Américo, em Penafiel.
A médica recordou que o serviço de urgência básica de Amarante, onde estão regulamente dois clínicos, recorre a prestadores de serviço e nem sempre foi possível contratá-los.
Acresce que, nos dias de pico, houve várias situações mais graves, com doentes triados com pulseiras amarelas e até vermelhas, que acorreram à urgência de Amarante, e que isso atrasou o atendimento dos doentes menos graves, nomeadamente os casos de gripe. Naquela urgência, em dias de dezembro, houve doentes triados com pulseira amarela que tiveram de esperar mais de quatro horas para serem atendidos.
A responsável da urgência do CHTS referiu que Amarante tem recebido demasiados doentes graves ou muitos graves, o que não devia acontecer, porque essas situações deviam recorrer diretamente à urgência médico-cirúrgica de Penafiel, que tem mais meios humanos e técnicos.
"Isto vai ocupar tempo aos profissionais e ao sistema, que deveria estar orientado para doentes menos complexos, porque é um serviço de urgência básico", sublinhou Carla Freitas.
O problema está, indicou também, na forma como os doentes são encaminhados pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) ou pelos bombeiros nos casos em que as pessoas ligam diretamente para as corporações.
Reconhecendo as dificuldades que se observaram em Amarante, a diretora lembrou que a urgência básica está dotada de equipamentos mais significativos do que os tipificados na lei, nomeadamente ao nível de exames complementares de diagnóstico.
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