Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
6

Urgências com quase o dobro

As Urgências dos hospitais e dos centros de saúde registaram na sexta-feira uma afluência 80% acima do normal, apontam os dados de vigilância da Direcção-Geral da Saúde (DGS). Foram 37 mil pessoas atendidas (20 mil nos centros de saúde e 17 mil nos hospitais), quando o habitual sem surto de gripe ronda as dez mil. Para aumentar a resposta, 21 centros de saúde da Região de Lisboa estão desde ontem a funcionar com horário alargado.
28 de Dezembro de 2008 às 00:30
Eram várias centenas de utentes que esperavam atendimento ao início da tarde no Hospital Amadora-Sintra
Eram várias centenas de utentes que esperavam atendimento ao início da tarde no Hospital Amadora-Sintra FOTO: Nuno Lourenço

A corrida às unidades de saúde teve um resultado imediato: serviços sobrelotados, espera de horas, salas cheias de doentes. No Amadora-Sintra, foi o pior dia desde que o hospital foi criado, há 12 anos. E, apesar do reforço da equipa médica, houve doentes urgentes a esperar mais de 12 horas. Deram entrada no serviço 594 doentes, quase o dobro do normal. Mas, de acordo com Mário Carreira, da DGS, "não há distrito que não tenha tido um excesso de procura".

Na origem desta situação está a epidemia de gripe, mas as autoridades de saúde esperam pelos números do fim-de-semana para perceber se se tratou de um caso pontual ou se a procura se irá prolongar. Até porque o surto de gripe ainda é moderado (65 casos por cem mil habitantes) e o pico da doença só se espera para as próximas semanas.

A ministra está a acompanhar a situação e o director-geral da Saúde, Francisco George, apelou ontem para que os doentes só recorram às Urgências se tiverem "necessidade absoluta".

"FUI ESPERAR PARA CASA"

A pulseira amarela no pulso de Manuela Gil indica é um caso urgente e deve ser vista num período de 60 minutos. Chegou às Urgências do Amadora-Sintra eram 21h00 de sexta feira. Ontem, às 12h00, continuava sentada numa cadeira da sala de espera. "Disseram-me logo que o melhor era preparar-me para esperar 12 horas. Fiquei aqui até às 24h00, mas já não tinha posição e fui para casa. Voltei às 06h00. E aqui continuo..."

Margarida diz que "nem é muito de andar nos hospitais", mas tem psoríase, toma remédios biológicos e qualquer medicação acrescida tem de ser indicada por um médico. Por isso, aguenta a espera e as dores de uma infecção urinária, até ser chamada. José Mendes acabou de entrar e espera pela triagem. Tem gripe e sabe que não é nas Urgências que devia estar. "Mas o que quer que faça? Se não vier aqui, vou aonde?" Em 2001, também tinha gripe e acabou internado com uma pneumonia. "Esperei sete horas na Urgência e fiquei sete dias internado." Por isso, prefere esperar.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

O que fazer com gripe?

Contactar o médico de família, se possível, ou ligar para a Linha de Saúde 24. Evitar as Urgências.

Como se transmite?

Através da saliva de uma pessoa infectada e por contacto directo da pele. A incubação dura entre 1 e 5 dias.

Evitar o contágio

Reduzir os contactos com outras pessoas, lavar frequentemente as mãos com água e sabão e quando tossir ou espirrar proteger a boca e o nariz com um lenço de papel de utilização única.

Como tratar?

Beba muitos líquidos, não se agasalhe demasiado, tome medicamentos para a febre e dores e não antibióticos porque não actuam contra vírus.

NÚMEROS

13 000 pessoas foram atendidas na última semana, mais 30% do que é habitual para a época. Mas a sexta-feira superou tudo.

1000 chamadas terão ficado por atender na Linha Saúde 24 durante o dia de ontem, devido ao aumento dos contactos.

29 das 600 pessoas que passaram pelo Amadora--Sintra ficaram internadas. É sinal de que a maioria eram falsas urgências (devem rondar os 8%).

12 000 doentes acorreram às Urgências no dia de Natal, menos 15 mil do que durante a sexta-feira.

900 casos atendidos no distrito de Faro, quando o habitual ronda os 650.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)