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Correio da Manhã

Sociedade
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Urgências ficam a 20 quilómetros

A população do concelho de Aljustrel, no distrito de Beja, está obrigada desde Julho a percorrer 20 quilómetros até ao Centro de Saúde de Castro Verde para ser atendida nas urgências.
6 de Setembro de 2010 às 00:30
Centro de Saúde foi inaugurado há dois anos, mas já não tem Serviço de Atendimento Complementar
Centro de Saúde foi inaugurado há dois anos, mas já não tem Serviço de Atendimento Complementar FOTO: Carlos Pinto

A situação, que tem motivado a queixa de utentes e autarcas, deveu-se às alterações efectuadas no Serviço de Atendimento Complementar (SAC) do Centro de Saúde de Aljustrel, que acabaram com as consultas de urgência para criar as consultas de reforço. A redução do horário de atendimento é outro dos motivos de críticas.

"Acho que agora estamos pior. Se a pessoa estiver com problemas graves, quando chega a Castro Verde ou a Beja já vai morta", lamenta Maria Arlete Barradas, doméstica de 64 anos. A opinião desta utente é corroborada pelos outros populares ouvidos pelo CM, como é o caso de Estrela Batalha, auxiliar de acção educativa, com 50 anos. "Venho ver se apanho consulta e se não tiver, tenho de ir a caminho de Beja ou de Castro Verde", diz.

Igualmente preocupado anda o diabético Manuel Francisco Raposo, 67 anos, que vive a cinco quilómetros da sede de concelho, em Rio de Moinhos. "Vai acabando tudo e chegará a um ponto em que não temos nada", nota, lembrando que o actual Centro de Saúde de Aljustrel tem pouco mais de dois anos.

Ao lado da população está o executivo da Câmara Municipal, que se tem desdobrado em contactos com a administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo e, mais recentemente, com o Governador Civil de Beja. Para o autarca Nelson Brito, o fim do SAC, associado à redução do horário de funcionamento do Centro de Saúde, representa uma clara "restrição do direito de acesso aos serviços de saúde por parte da população", além de "estar a causar dificuldades aos profissionais de saúde".

"Temos sentido, por parte dos populares, que recuámos em termos de direitos de saúde", sublinha o edil, que defende uma "reavaliação" da medida tomada no início do Verão e que se estendeu igualmente aos SAC dos centros de saúde de Almodôvar e Ourique.

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