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Correio da Manhã

Sociedade
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“Vai dificultar acesso aos cheques-cirurgia”

José Manuel Silva, Bastonário da Ordem dos Médicos sobre proibição de operar no privado doentes seguidos no público.
7 de Outubro de 2012 às 01:00
“Vai dificultar acesso aos cheques-cirurgia”
“Vai dificultar acesso aos cheques-cirurgia”

Correio da Manhã – Como comenta as novas regras do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), que impedem os médicos de operar no privado doentes que seguiam no público, e a quem não foi dada resposta atempada?

José Manuel Silva – Eu gostava que o Ministério da Saúde me explicasse esta medida. Em todas as cidades do País, à excepção de Lisboa e Porto, só há um hospital público, onde trabalha o grosso dos médicos da área. Ou seja, a partir de agora, os doentes de Coimbra não vão poder ser operados em Coimbra. O que ganha o Estado com isto?

– O objectivo é impedir que os médicos ganhem salários milionários ao realizar muitas cirurgias no privado.

– Há médicos que ganham muito porque operam muito, trabalham muito. Qual é o problema disso? Se as suas obrigações no público não forem cumpridas, as administrações hospitalares, a quem cabe vigiar a actividade cirúrgica, têm de actuar. Agora, se cumprem no público e depois trabalham muito no privado, não vejo onde está o problema.

– No fundo, o Governo quer é mais operações no público e menos no privado.

– Então aumentem a produção interna. O problema está no sector público usar a capacidade instalada. Se essa capacidade é ultrapassada, e depois os serviços privados têm de cumprir as cirurgias contratualizadas, onde está a incompatibilidade de ser o médico que seguiu o doente no público a operar?

– Acha então que esta medida tem que objectivo?

– Temo que seja uma forma de dificultar o acesso dos doentes à utilização dos cheques-cirugia do SIGIC. Se estão a proibir os doentes de ser operados no privado para ficarem mais tempo à espera no público, isso é subverter os objectivos do SIGIC.

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