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Correio da Manhã

Sociedade
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Vale-consulta é cura para tempos excessivos de espera

Reclamada solução idêntica ao vale-cirurgia quando são ultrapassados tempos máximos de espera.
João Saramago 12 de Janeiro de 2020 às 10:18
Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães
Miguel Guimarães, bastonário dos médicos
Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos 
Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães
Miguel Guimarães, bastonário dos médicos
Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos 
Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães
Miguel Guimarães, bastonário dos médicos
Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos 
O vale-consulta é para o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, a solução para os tempos excessivos de espera. Para agilizar a prestação dos cuidados de saúde defende também a comparticipação dos exames quando o doente tem de recorrer ao setor privado ou social.

"Se o Serviço Nacional de Saúde não consegue dar resposta, então vamos complementar com o setor privado ou social para ver se temos resposta para o doente. E o Estado assume a responsabilidade financeira. Nas cirurgias isso já existe", disse Miguel Guimarães.

O bastonário, candidato único às eleições de quinta-feira, lembra que "muitos doentes acabam por ir a consultas no privado ou social". Para o representante dos médicos, os elevados tempos de espera criam ou acentuam "desigualdades terríveis".

"As pessoas com capacidade económica têm uma oferta grande porque existe um setor privado relativamente forte, sobretudo nas grandes cidades. As pessoas que não têm essa possibilidade ficam à espera", sublinha.

Miguel Guimarães defende como "principal prioridade" de um novo mandato a "recuperação da dignidade dos médicos". "Neste momento a situação é crítica. Os resultados de um inquérito aos médicos seriam desastrosos em termos daquilo que as pessoas sentem, a desmotivação e a insatisfação".
 
Sobre a ministra da Saúde, Marta Temido, o bastonário afirmou: "Acho completamente desmotivante, e não acho que possa aceitar, que a nossa ministra passe a vida a tratar mal os seus profissionais".

Num exemplo, criticou o primeiro comunicado emitido pelo Ministério da Saúde aquando da agressão da médica em Setúbal. "Nem sequer falava da médica", comentou.

Pormenores
Faltam 5500 especialistas
A Ordem dos Médicos estima em 5500 o número de médicos especialistas em falta no Serviço Nacional de Saúde. Mais do que há três anos. Há 1700 médicos com horário reduzido.

Mais ensaios clínicos
A Ordem dos Médicos quer agilizar a aprovação dos ensaios clínicos para que o País passe dos atuais 100 milhões para 700 milhões de euros captados. Metade do investimento atual é do laboratório português Bial.

Provedor do doente
Em dezembro foi aprovada a competência específica e a figura do provedor do doente ou da saúde, que terá agora de ser validada pelo Parlamento.

Pedidos julgamentos com maior rapidez para agressores
O bastonário da Ordem dos Médicos defende que os casos de violência contra profissionais de saúde devem ser considerados crimes públicos, com um tratamento prioritário para que o julgamento seja mais rápido. "As pessoas por vezes são agressivas.

Às vezes é só verbal, outras vezes passam a vias de facto", afirmou Miguel Guimarães, que confessou já ter sido alvo de violência verbal por diversas vezes. O bastonário considera que os 953 casos notificados são a ponta do icebergue.

Ecografias passam a ser realizadas por médicos com competência específica
A Ordem dos Médicos já criou a competência específica para realizar ecografias na gravidez, decisão que decorreu do caso do bebé que nasceu em Setúbal sem parte do rosto.

E em que o médico Artur Carvalho não detetou o problema. "No Conselho Disciplinar da Região Sul as coisas não estavam bem. O médico tinha cinco queixas e não tinha nenhuma resolvida. Houve uma falência da nossa parte em termos disciplinares", diz o bastonário.
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