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Correio da Manhã

Sociedade
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Valença: Crianças vão boicotar aulas

Pelo menos 15 crianças de uma escola básica de Valença vão iniciar, na terça-feira, um boicote às aulas, com os pais e encarregados de educação a exigirem a substituição "imediata" de uma docente e do director.
9 de Abril de 2012 às 17:50
Pais garantem que alunos não voltarão às aulas até a professora ser substituída
Pais garantem que alunos não voltarão às aulas até a professora ser substituída FOTO: Bruno Colaço

"Às 09h00 vamos estar todos à porta da escola mas enquanto isto não se resolver não os deixamos entrar. Queremos que se faça alguma coisa já", afirmou hoje à Lusa Félix do Paço, porta-voz dos pais da escola do primeiro ciclo de Gandra.

A situação envolve alunos do terceiro e do quarto ano, que, afirmam os pais, são colocados pela professora em causa "toda a manhã" a assistir a filmes e desenhos animados, acompanhados apenas por uma auxiliar. Acrescentam que a situação está a gerar "ansiedade" junto das 15 crianças afectadas e que algumas já estão ser avaliadas por psicólogos.

"A minha filha tem dez anos e consulta marcada no psicólogo para 19 de Abril. A miúda está deprimida e perdeu a vontade de ir para a escola", explicou Félix do Paço.

Garantem que a situação acontece "praticamente desde Setembro" e que está "tudo documentado", nomeadamente pela presença que começaram a marcar na escola, durante o período de aulas.

"Como é que podem estar bem, aprender alguma coisa, quando de manhã estão a ver filmes e à tarde a passar os deveres para casa?", questiona este pai.

Acrescentam que o protesto, que se inicia à porta da escola esta terça-feira - o primeiro dia de aulas após a interrupção lectiva da Páscoa -, foi decidido em reunião de pais, "vai durar todo o dia" e será "para continuar".


"É um protesto pacífico para continuar até que alguma coisa se resolva. Além desta professora, queremos a substituição imediata do director da escola, porque até hoje foi conivente com a situação, nada fez para a alterar", diz Félix do Paço.

Contactada pela Lusa, Ângela Evangelista, presidente do Agrupamento de Escolas Muralhas do Minho, de Valença, confirmou a existência de um processo de inquérito "para apurar se houve alguma violação do dever da professora".

"Até termos este procedimento concluído, que decorre num prazo de 45 dias, não podemos dizer nada", afirmou ainda a responsável.

A escola de Gandra é frequentada actualmente por 28 alunos, entre o primeiro e quarto ano de escolaridade.

A Lusa tentou uma reacção a este caso junto da Direcção Regional de Educação do Norte mas tal ainda não foi possível.

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