Governo garante estarem a ser feitas melhorias no ar condicionado.
Os 72 veículos Eurotram do Metro do Porto, que sobreaquecem em dias de maior calor, têm um tempo de vida útil estimado de mais 10 anos, segundo o Governo, que garante estarem a ser feitas melhorias no ar condicionado.
"Estes veículos apresentam ainda uma vida útil remanescente estimada em cerca de dez anos, correspondendo aproximadamente a um terço da vida útil expectável para veículos ferroviários desta tipologia", lê-se numa resposta do gabinete do Ministério das Infraestruturas e Habitação ao grupo parlamentar do Livre, consultada este sábado pela Lusa.
O partido tinha questionado o Governo na sequência dos episódios de calor verificados no início de julho, em que vários veículos foram imobilizados na sequência de paragens no sistema de ar condicionado causadas pelas altas temperaturas.
Na altura, o Livre questionava, entre vários temas, "que medidas imediatas serão adotadas para evitar novas interrupções ainda em 2026" e se existem "soluções de longo prazo, de adaptação do material circulante existente, incluindo a modernização dos sistemas de climatização".
"O Governo e a Metro do Porto têm acompanhado esta realidade e, ao longo dos últimos anos, a empresa tem vindo a implementar diversas medidas destinadas a mitigar os constrangimentos associados à climatização da frota Eurotram", garante o ministério liderado por Miguel Pinto Luz.
Estão "em curso diversas iniciativas com vista ao reforço do desempenho dos sistemas de climatização, sem prejuízo da manutenção da frota em serviço até ao termo da sua vida útil", acrescenta.
Entre essas medidas "destacam-se o recondicionamento dos sistemas AVAC [aquecimento, ventilação e ar condicionado] existentes e a instalação de novos equipamentos com desempenho superior, já em curso em parte da frota", refere, visando "melhorar as condições de conforto térmico, quer para os passageiros, quer para os maquinistas, especialmente durante períodos de calor extremo".
O executivo considera, porém, que "as ocorrências relacionadas com estes sistemas" têm sido "pontuais, registando-se, em média, uma a duas situações por ano", e defende que o restante material circulante (veículos TramTrain e CT) tem evidenciado "um desempenho globalmente satisfatório face aos episódios de calor extremo registados no corrente ano".
"A frota Eurotram, composta por 72 veículos, constitui a base da operação da Metro do Porto. Tratando-se de material circulante cuja conceção remonta ao final do século passado, apresenta limitações decorrentes das especificações técnicas e dos pressupostos climáticos vigentes à data do seu projeto e fabrico, substancialmente distintos das atuais condições climatéricas", argumenta o ministério.
No início do mês, quando da vaga de calor extremo, a Metro do Porto já tinha dito que, à data da sua aquisição, "com base nas projeções então definidas pelo Instituto Português da Meteorologia e da Atmosfera (IPMA), foi definido um referencial térmico máximo na ordem dos 35 graus centígrados", e "uma vez ultrapassada esta temperatura, o ar condicionado desliga-se devido à alta pressão".
O Governo refere ainda que "esta frota é atualmente a única que pode operar sem restrições nas linhas Azul [Matosinhos], Amarela [Gaia] e Laranja [Fânzeres], por razões associadas às características da infraestrutura".
Nos documentos do concurso público para a nova subconcessão do Metro do Porto, lançada no final de julho, pode ler-se que está prevista a "modificação de AVAC com substituição do compressor, em 20 veículos", sendo referido que esta medida já estava ativa em oito veículos.
A Lusa já questionou a Metro do Porto "por que motivo foi apenas feita em 20 veículos e não na totalidade da frota Eurotram (72)" e "quanto é que custaria à Metro do Porto (ou à concessionária) investir num novo sistema de ar condicionado que garantisse fiabilidade para temperaturas superiores a 40º", encontrando-se a aguardar resposta desde final de julho.
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