Responsável pela empresa afirma que ventilador foi desenvolvido por uma equipa de médicos e engenheiros que foram "extremamente exigentes na precisão e fiabilidade do mesmo"
A primeira unidade de um ventilador produzido em Portugal e com certificação europeia foi esta quarta-feira simbolicamente entregue a uma associação que adquiriu 30 equipamentos e vai distribuí-los por hospitais do Serviço Nacional de Saúde.
A cerimónia decorreu na empresa Sysadvance, com sede na Póvoa de Varzim, distrito do Porto, que nos últimos meses desenvolveu o equipamento e o submeteu a uma rigorosa certificação à aprovação nas entidades de saúde europeias, tendo agora capacidade para produzir 60 unidades por dia.
"É um produto desenvolvido com o requisito de alta fiabilidade, desempenho e precisão para o suporte de vida de doentes com estados pulmonares muito críticos. A certificação comprovou que é um ventilador tão bom ou melhor que os equipamentos topo de gama já produzidos no estrangeiro", revelou José Vale Machado, responsável da Sysadvance.
O empresário partilhou que este ventilador nacional foi desenvolvido por uma equipa de médicos e engenheiros que foram "extremamente exigentes na precisão e fiabilidade do mesmo", conseguindo, ainda assim, que o equipamento fosse mais barato que ventiladores similares já usados nos hospitais portugueses.
"Vai ser colocado a um terço do preço dos competidores, mesmo tendo mostrado nos testes de certificação um desempenho igual ou superior ao atual líder de mercado. Custará cerca de 15 mil euros ao cliente final", desvendou.
José Vale Machado lembrou, ainda, que este ventilador produzido em Portugal, tem "a vantagem acrescida de poder ser controlado remotamente, através de uma rede informática, permitindo que o pessoal médico entre menos vezes nas zonas de contágio".
A empresa, que já operava na área dos equipamentos médicos, nomeadamente em unidades de oxigénio medicinal, contratou mais trabalhadores e criou uma linha de produção específica para este ventilador, que, atualmente, pode produzir 10 equipamentos por dia, mas pode escalar para 60 por dia, respondendo às exigências do mercado nacional, mas também com olhos postos na exportação.
"Há uma encomenda teste com dois ventiladores para a República Checa e já temos o processo da equivalência de certificação iniciada no Brasil, onde há uma necessidade grande destes equipamentos", partilhou.
Esta quarta-feira, a empresa procedeu à entrega do primeiro de 30 ventiladores encomendados pela Associação Todos Por Quem Cuida, fundada pela Ordem dos Médicos, a Ordem dos Farmacêuticos, a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), que vai doar os equipamentos a hospitais nacionais.
"A nossa ideia inicial é oferecer um a cada hospital do Serviço Nacional de Saúde, incluindo Açores e Madeiras, vamos ver se será possível", explicou Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos.
O responsável, que esteve na cerimónia acompanhado pela bastonária Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, vincou a importância de um ventilador produzido em Portugal "para a autonomia do país em crises que possam existir", vincando que o mesmo "foi reconhecido a nível europeu como equipamento compatível com os da sua classe".
"Nesta última fase complicada que atravessámos, usaram-se os melhores e piores ventiladores que tínhamos. Foram todos precisos, mesmo que os que não eram específicos para os cuidados intensivos, pois o objetivo fundamental era salvar o máximo de vidas. Certamente que este novo ventilador vai ter aplicação, nomeadamente na substituição daqueles que já estão ultrapassados", partilhou Miguel Guimarães.
Além dos 30 ventiladores adquiridos pela Associação Todos Por Quem Cuida, a empresa que os produz, vai também doar outros cinco, para serem distribuídos pelas unidades de saúde nacionais.
A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 2.961.387 mortos no mundo, resultantes de mais de 137,4 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Portugal regista esta quarta-feira mais oito mortes relacionadas com a Covid-19 e 684 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), que também assinala uma diminuição no número de internamentos.
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