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Correio da Manhã

Sociedade
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Via Verde AVC permitiu orientação clínica a 438 doentes num ano

Cerca de 60% não teve necessidade de ser transferido para o Centro Hospitalar.
Lusa 28 de Novembro de 2016 às 09:12
AVC
AVC FOTO: Ricardo Almeida
O programa Via Verde AVC coordenado pelo Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), que agrega mais sete hospitais da região Centro, já permitiu a orientação clínica de 438 doentes desde setembro de 2015.

Segundo o médico Luís Cunha, diretor do serviço de Neurologia dos CHUC, esta rede hospitalar garante uma resposta tecnicamente equitativa aos doentes que sofram um Acidente Vascular Cerebral (AVC), através de consultas de telemedicina.

O programa inclui, além do CHUC, o hospital distrital da Figueira da Foz, Centro Hospitalar de Leiria, Centro Hospitalar Baixo Vouga, Centro Hospitalar Tondela-Viseu, Unidade Local de Saúde da Guarda, Centro Hospitalar da Cova da Beira e Unidade Local de Saúde de Castelo Branco.

"Era previsível que os AVC iam necessitar de determinadas terapêuticas que não podiam ser estendidas a todos os hospitais e a preocupação foi, acima de tudo, primeiro dotar o CHUC dessas condições e oferecer aos doentes, independentemente da sua área geográfica, o mesmo tipo de possibilidade de recuperação", sublinhou.

Desde setembro de 2015 até ao final de outubro de 2016, o projeto Via Verde AVC já realizou 438 consultas de telemedicina, que contribuíram "de forma significativa para a melhoria do resultado clínico e funcional dos doentes com AVC na região Centro".

Deste número, cerca de 60% não teve necessidade de ser transferido para o CHUC, evitando assim uma sobrecarga do hospital central, sem prejuízos para o doente.

No mesmo período, a unidade central realizou 232 fibrinólises endovenosas e 156 trombectomias, terapêutica apenas efetuada nos CHUC.

A rede, que tem o CHUC como ponto central, onde diariamente, durante as 24 horas, uma equipa de especialistas acompanha em tempo real os doentes com AVC que dão entrada naquelas unidades e prescrevem a melhor terapêutica, consoante a situação clínica.

De acordo com Luís Cunha, a rede permite que apenas os doentes mais graves sejam transferidos para Coimbra, já depois de estabilizados e com terapêutica iniciada.

"Tivemos ganhos de vária natureza, não só para o doente, que deixa de ter tratamentos a duas velocidades, consoante o local em que se encontrasse, mas também em termos de rentabilização dos serviços CHUC", salienta o médico.

A unidade tem apenas oito camas, "que têm chegado para toda a região Centro".

O diretor do serviço de Neurologia destaca ainda que o doente faz no CHUC a terapêutica adequada, "é estabilizado e volta ao hospital de origem, coisa que não se podia fazer antigamente".

O projeto, sublinhou, estende-se ainda ao Centro de Medicina e Reabilitação da Região Centro - Rovisco Pais (Tocha, Cantanhede), permitindo o acesso a fisioterapia a doentes, que reúnam os critérios clínicos para beneficiarem de um programa de reabilitação em internamento.

"A rede está a funcionar na plenitude, é uma coisa que está a acontecer e, neste momento, realizamos 40 a 50 teleconsultas por mês, o que dará qualquer coisa como quinhentas por ano", realça, por seu lado, Gustavo Cordeiro, coordenador da unidade de AVC do CHUC.

O presidente do Conselho de Administração (CA) do CHUC, por outro lado, sublinhou o caráter pioneiro da iniciativa em Portugal e elogiou a organização deste projeto.

"O elemento mais relevante é a garantia de que, na região Centro, o CHUC, em colaboração com os restantes hospitais, tem a permanente preocupação de proporcionar aos cidadãos o acesso à melhor inovação, com uma organização que ombreia com as melhores organizações mundiais", disse Martins Nunes à Lusa.

O presidente do CA disse ainda que lhe cumpre traduzir perante o país a satisfação de se ter conseguido assegurar que, "ainda que atingidas por uma adversidade tão grave como um AVC, se salvaram muitas vidas humanas e muitas pessoas ficaram sem quaisquer sequelas graças a este programa de âmbito regional, garantindo tratamento e cura em situações-limite de patologia potencialmente fatal".

"Uma referência ao mérito dos profissionais envolvidos em todos os hospitais da Região Centro. A partilha de recursos e de conhecimento que está na génese da conceção deste programa assegura, nesta área da Medicina, a coesão regional e a justiça social através de iguais oportunidades de acesso a todos os doentes, independentemente do local onde vivem ou de onde sofreram um AVC. Tenho um enorme orgulho em dirigir este hospital onde os seus profissionais todos os dias dão o seu melhor na defesa dos valores do Serviço Nacional de Saúde e onde a inovação está na sua ambição da prática da medicina ao serviço dos cidadãos".
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