Artur Lima mantém "muita esperança [de] que as comunidades [açorianas] ajudem e que os Estados Unidos, enquanto país amigo, sobretudo, dos Açores, possam dar essa ajuda".
O vice-presidente do Governo Regional dos Açores reiterou esta terça-feira que espera "maior solidariedade, quer do Governo da República, quer da União Europeia, quer dos Estados Unidos da América" na atribuição de vacinas à região.
"Neste momento, as vacinas são um bem de primeiríssima necessidade. Eu tenho esperança, muita esperança, que possa haver maior solidariedade, quer do Governo da República, quer da União Europeia, quer dos Estados Unidos da América, com quem temos uma relação de muita proximidade", afirmou Artur Lima.
O vice-presidente do Governo Regional dos Açores falava aos jornalistas, em Ponta Delgada, no final de uma visita ao Banco Alimentar Contra a Fome de São Miguel.
Questionado sobre o assunto, adiantou que os "contactos que foram feitos com a comunidade norte-americana e com os políticos 'açordescendentes' tiveram um 'feedback' extraordinário", mas a situação epidemiológica naquele país não facilita o processo, porque "os Estados Unidos estão confinados".
Ainda assim, o governante mantém "muita esperança [de] que as comunidades [açorianas] ajudem e que os Estados Unidos, enquanto país amigo, sobretudo, dos Açores, possam dar essa ajuda".
Artur Lima garante que o executivo regional, "quer através da vice-presidência, do presidente do Governo, da Secretaria da Saúde", está empenhado em conseguir "mais vacinas, e rapidamente", para que o "processo de vacinação atinja rapidamente os 70 ou 80% nos Açores, o que não é difícil".
Em 16 de abril, o centrista adiantou que a região ia desenvolver contactos junto de políticos e empresários de ascendência açoriana nos Estados Unidos da América para tentar que o país ceda ou venda vacinas contra a Covid-19 à região.
"Vamos sensibilizá-los para que consigam interceder para que os Estados Unidos nos forneçam vacinas de um modo gratuito ou eventualmente até, através dos nossos empresários, conseguindo adquiri-las pagando porque a saúde dos açorianos não tem preço", afirmou então o vice-presidente do executivo açoriano, que tem a tutela das relações externas.
Esta decisão surgiu depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros ter recusado acionar o Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos para solicitar a cedência de vacinas à região, alegando que não havia "base jurídica sólida".
Artur Lima defendeu a possibilidade de acionar o Acordo de Cooperação e Defesa, alegando que, o artigo III do ponto J prevê a cooperação entre os serviços de saúde das Forças dos Estados Unidos e os serviços de saúde portugueses "na manutenção da saúde pública".
Antes do pedido ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, o presidente do Governo Regional dos Açores já tinha solicitado à Comissão Europeia um reforço de vacinas ao abrigo do estatuto de região ultraperiférica, mas igualmente sem sucesso.
Se a tentativa de sensibilização da comunidade emigrante nos Estados Unidos também não surtir efeito, o vice-presidente do Governo Regional já admitiu recorrer a outras vias.
Os Açores têm atualmente 191 casos positivos ativos de Covid-19: 181 em São Miguel, sete nas Flores, dois em Santa Maria e um na Terceira.
Desde o início da pandemia foram diagnosticados 4.946 casos positivos de Covid-19 na região, tendo recuperado da doença 4.602 pessoas e morrido 31.
A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 3.214.644 mortos no mundo, resultantes de mais de 153,4 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Em Portugal, morreram 16.981 pessoas dos 837.715 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
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