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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Viniportugal desvaloriza impacto nas exportações de vinho após redução do limite de álcool na condução em Espanha

Parlamento espanhol aprovou uma proposta para reduzir a quantidade máxima de álcool permitida no sangue de 0,5 gramas para 0,2.

19 de março de 2025 às 16:49

A redução do limite de álcool na condução em Espanha, a concretizar-se, terá um impacto limitado nas exportações portuguesas de vinho para aquele país, que são pouco relevantes, afirmou esta quarta-feira o presidente executivo da Viniportugal.

Embora ressalvando que "descidas tão acentuadas são sempre negativas para o consumo de vinho", Frederico Falcão considera que a medida "não deverá ter grande impacto nas exportações portuguesas para Espanha", que "não é um mercado muito relevante para os vinhos de Portugal" e para onde "muita da exportação é de vinho a granel, de baixo preço".

"Para os vinhos portugueses não será um grande problema, por não ser um mercado grande", sustentou, em declarações à agência Lusa, o presidente executivo da Viniportugal, organização interprofissional do Vinho de Portugal e entidade gestora da marca "Wines of Portugal".

O parlamento espanhol aprovou na terça-feira, numa primeira votação (ainda não definitiva), uma proposta para reduzir a quantidade máxima de álcool permitida atualmente no sangue dos condutores de 0,5 gramas para 0,2 gramas de álcool por litro de sangue.

Segundo a proposta, esta taxa passará a ser aplicada a todos os condutores em Espanha, independentemente da profissão ou da antiguidade da carta de condução.

No preâmbulo da proposta do PSOE, lê-se que o álcool ou as drogas "são das principais causas de acidentes rodoviários em todo o mundo" e que em países como a Suécia e a Noruega, "líderes mundiais em segurança rodoviária", a taxa é já de 0,2 gramas por litro de sangue, que também é recomendada por organizações internacionais, que entendem que "este limite equivale a tolerância zero".

Em 2024, Espanha foi o 13.º maior mercado de exportação dos vinhos portugueses, com as vendas para aquele país a somarem 27,683 milhões de euros, mais 31,34% do que em 2023, segundo dados disponíveis no 'site' da Viniportugal.

O principal mercado foi França (103,426 milhões de euros, -0,01%), seguido dos EUA (102,139 milhões de euros, +2,05%) e do Brasil (85,864 milhões de euros, +7,46%).

Já em volume exportado (litros), Angola surge no primeiro lugar do 'ranking', com 35,9 milhões de litros de vinho, seguido de França e do Brasil (com 33,1 e 28,6 milhões de litros) e ocupando Espanha a quarta posição, com 24,8 milhões de litros e um crescimento de 142% face a 2023.

Analisando o preço de vinho exportado, verifica-se, contudo, que o preço médio de venda para Espanha se ficou no ano passado pelos 1,12 euros por litro, uma quebra de 45,75% face aos 2,06 euros de 2023.

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