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Correio da Manhã

Sociedade
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Vírus do Papiloma Humano leva a mais casos de cancro de cabeça e pescoço

Cada vez mais se nota uma diferença nos "grupos de diagnóstico e nos fatores de risco".
Cláudia Machado 28 de Julho de 2018 às 09:55
Existe uma vacina contra o Vírus do Papiloma Humano que pode ajudar a diminuir a incidência da doença
Vacinas
Vacinação
Existe uma vacina contra o Vírus do Papiloma Humano que pode ajudar a diminuir a incidência da doença
Vacinas
Vacinação
Existe uma vacina contra o Vírus do Papiloma Humano que pode ajudar a diminuir a incidência da doença
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O cancro de cabeça e pescoço "está associado sobretudo ao consumo de tabaco e álcool e aos maus hábitos de higiene oral". São problemas comuns à maioria dos doentes diagnosticados: homens, com idades entre os 50 e os 70 anos. Mas os médicos começam a reportar "mudanças nos grupos de diagnóstico e nos fatores de risco".

"Temos registado um aumento de diagnósticos em doentes mais jovens, abaixo dos 40 anos. Neste grupo, o cancro de cabeça e pescoço surge associado ao Vírus do Papiloma Humano (HPV)", explica Ana Castro, médica oncologista e presidente do Grupo de Estudos do Cancro de Cabeça e Pescoço. Este "é o mesmo vírus que provoca o cancro do colo do útero, o cancro do canal anal e do pénis", clarifica a especialista.

Assim, o grupo de estudos "defende a neutralidade de género na vacinação" contra o HPV, ou seja, que seja administrada tanto a homens como a mulheres. Há uma vacina contra o HPV, administrada a raparigas a partir dos 10 anos. "A eficácia da vacina nos rapazes é a mesma", garante.

Outra das ‘bandeiras’ na luta contra este tipo de cancro passa pelo diagnóstico precoce e pelas campanhas de rastreio. "Temos três mil novos casos de cancro de cabeça e pescoço por ano no País.

Cerca de 60% é diagnosticado em estádio avançado e, deste grupo, apenas 20% está vivo ao fim de 5 anos", alerta Ana Castro. Com um diagnóstico precoce, "há uma taxa de sobrevivência ao fim de 5 anos de 90%".

Próteses levam à desvalorização de lesões na boca 
"Um dos sintomas deste tipo de cancro são feridas ou aftas na boca que não cicatrizam durante semanas. Os idosos com próteses dentárias mal adaptadas, por exemplo, tendem a não dar tanta importância a estas lesões porque pensam serem causadas pela prótese", diz a médica Ana Castro.

O tratamento para estes cancros são a cirurgia e a quimioterapia. Uma das consequências é a perda de dentes, devido aos tratamentos, deixando as pessoas com necessidade de colocação de próteses que permitam a reabilitação oral. No entanto, ainda há centenas de portugueses à espera das próteses.

"Feridas e rouquidão são sinais"
Ana Castro, Médica oncologista 
CM - O que atrasa o diagnóstico precoce do cancro de cabeça e pescoço?
Ana Castro – O diagnóstico pode ser difícil porque as pessoas tendem a desvalorizar os sintomas, que são comuns a muitas questões benignas. Depois, muitos dos doentes deste tipo de cancro têm pouca literacia em saúde.

– Quais são os sintomas?
– Pode ser uma dor de cabeça que se prolonga por três ou mais semanas, um ouvido ou uma narina obstruída prolongadamente. As feridas ou aftas na boca que não cicatrizam durante semanas e uma rouquidão que se prolonga também são outros sinais possíveis da doença. Ter estes sintomas não significa que tenham cancro, mas devem ir a uma consulta.

PORMENORES 
Tipos de vírus
Existem mais de 120 tipos diferentes do Vírus do Papiloma Humano, que podem causar desde verrugas genitais a vários tipos de cancro, como o do colo do útero. São facilmente transmissíveis por contacto sexual desprotegido.

Recomendações
De forma a prevenir a infeção pelo Vírus do Papiloma Humano, 16 países já emitiram recomendações oficiais para a vacinação universal. Entre estes encontram-se os EUA, a Austrália, a Áustria e a Itália.
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