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Correio da Manhã

Sociedade
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Vírus da gripe A faz mais vítimas e ganha terreno

Em cada 100 pacientes com sintomas gripais observados pelos médicos, 60 estão infectados pelo vírus. E das 302 amostras recolhidas, desde Setembro de 2010 até agora, pela Rede Médicos-Sentinela, que tem como função acompanhar a actividade gripal no País, 139 estavam infectados com o vírus da gripe B e apenas 37 com o vírus da gripe A (H1N1), sendo que 126 tinham outras doenças.
7 de Janeiro de 2011 às 00:30
A Direcção-Geral da Saúde aconselha as pessoas a tomarem a vacina
A Direcção-Geral da Saúde aconselha as pessoas a tomarem a vacina FOTO: Larry Downing/Reuters

Segundo dados do mesmo grupo, de 26 de Dezembro de 2010 até dia 2, registaram-se 33 casos de gripe. Em 72% dos casos, o vírus da gripe B era o responsável, mantendo a predominância.

No entanto, esta doença sazonal já matou quatro pessoas: três estavam infectadas com o vírus da gripe A e uma com o vírus normal, o B. A última vítima morreu quarta-feira e, segundo Graça Freitas, subdirectora-geral da Saúde, à semelhança dos outros casos, não tomou a vacina e tinha outros problemas de saúde.

"É importante que as pessoas percebam que ainda se podem vacinar para prevenir complicações de saúde graves", diz.

Para Graça Freitas, em Portugal, tal como noutros países europeus, o vírus da gripe B continua a predominar, mas o H1N1 está a aproximar-se.

Mas mesmo assim, a responsável da Direcção-Geral da Saúde (DGS) considera que a actividade gripal continua moderada, embora, saliente que "não é possível ainda contabilizar todos os casos de gripe, porque os dados da actividade se baseiam apenas numa amostra".

A subdirectora-geral da Saúde sublinha também o facto de os sintomas de ambas as gripes se confundirem e de ainda não estarem, por exemplo, registados os óbitos de idosos devido a complicações respiratórias e que podem ser o resultado de uma gripe.

As crianças dos 5 aos 14 anos estão entre os que mais sofrem com a gripe. Aliás, em Dezembro, a gripe esteve na origem de mais de 30% das urgências pediátricas em todo o País. Graça Freitas salienta que também é esta a faixa etária mais vulnerável ao vírus H1N1, uma vez que a teoria é a de que os mais velhos já tenham tido contacto com um vírus semelhante. 

TRÊS NOVAS ESTIRPES DO VÍRUS

As baixas temperaturas que se fazem sentir em Portugal trouxeram três novas estirpes, uma delas a gripe A, que volta a estar activa no País. As outras são um vírus do tipo A e um outro do tipo B.

A gripe do vírus H1N1 continua a ser a mais perigosa devido às doenças que pode trazer associadas. A subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas, sublinha que não é tarde para prevenir a gripe e que as pessoas ainda vão a tempo de tomar a vacina. Graça Freitas adianta que, dos casos fatais registados com gripe A, nenhum estava imunizado.

GRÁVIDAS COM RISCO DE PNEUMONIA

A pneumonia viral grave associada à gripe A (vírus H1N1) é cinco vezes mais comum em mulheres grávidas, revela um estudo realizado em Espanha. O trabalho, liderado pelo especialista Enrique Maravi, do Hospital de Navarra, Espanha, analisou casos de mulheres grávidas infectadas com o vírus da gripe A, durante o ano de 2009. Estas mulheres, com idades entre os 15 e os 44 anos, estiveram internadas nas 148 Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) espanholas.

No total, foram estudados 234 casos de mulheres, dos quais 50 estavam grávidas. Os resultados mostram que a pneumonia foi cinco vezes mais comum nas mulheres grávidas do que nas restantes.

O desenvolvimento desta doença nas mulheres em idade reprodutiva foi relacionado com o início do tratamento antiviral, correspondendo a taxa mais baixa com o início do tratamento nas primeiras 48 horas do início dos sintomas.

Apenas uma minoria tinha recebido tratamento antiviral durante os primeiros dois dias após os sintomas da doença. A taxa de mortalidade das mulheres afectadas por este tipo de pneumonia atingiu 14%.

A obesidade, a demora do diagnóstico da infecção viral, a admissão tardia nas UCI e o atraso no início do tratamento antiviral foram factores que contribuíram para a gravidade e progressão da doença. Os autores recomendam, por isso, a vacinação anual, especialmente nesse grupo de risco, já que o vírus da gripe é conhecido pela sua constante mutação.

CINQUENTA MORTES NO REINO UNIDO

A quase totalidade das 50 mortes causadas pela gripe, desde Outubro, no Reino Unido resultou de infecções com o vírus da gripe A, H1N1, confirmaram ontem as autoridades. Do total, 45 pessoas morreram com gripe A, ainda conhecida no país por ‘gripe suína’, enquanto as restantes vítimas mortais foram afectadas por outro tipo de gripe, informou a Agência para a Protecção da Saúde britânica.

DISCURSO DIRECTO

"O VÍRUS H1N1 É O MAIS PERIGOSO": Graça Freitas, Subdirectora-geral de Saúde

Correio da Manhã – Os últimos dados recolhidos dão conta de que a gripe está a afectar mais crianças. É possível saber qual o tipo de vírus?

Graça Freitas – Não é possível dizer, com toda a certeza, qual o vírus que está a afectar mais os jovens, uma vez que são só testados os casos mais graves. O que se pode dizer é que o vírus da gripe A afecta os mais jovens porque, à partida, os mais velhos já tiveram contacto ao longo da sua vida com um vírus semelhante e desenvolveram defesas.

– Apesar de a gripe do tipo B manter a predominância, o vírus H1N1 continua a ser o mais perigoso?

– O vírus H1N1 é mais perigoso porque traz mais complicações às pessoas e doenças associadas. Mas a gripe B também pode matar. Nesta altura do ano é especialmente difícil para os idosos, devido às pneumonias e outros.

– Uma vez que os sintomas das duas gripes se confundem, o que aconselha as pessoas a fazer?

– Ficarem no domicílio, evitarem o contacto com outras pessoas, hidratarem-se, tomarem os antigripais normais e, se os sintomas piorarem, ligarem para a linha Saúde 24. Mas, antes, devem prevenir-se, tomando a vacina.

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