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Correio da Manhã

Sociedade
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Vitalino Canas: Corte nas verbas para tratar toxicodependentes custará vidas

A apresentação de um relatório estrangeiro que elogia o combate à toxicodependência em Portugal serviu esta quarta-feira para vários responsáveis alertarem para as consequências de alterações de política, que um deputado socialista disse poderem vir a causar mortes.
14 de Dezembro de 2011 às 22:02
Vitalino Canas foi um dos promotores da descriminalização do consumo de drogas quando o PS estava no poder
Vitalino Canas foi um dos promotores da descriminalização do consumo de drogas quando o PS estava no poder FOTO: Mariline Alves

A sessão na qual foi divulgada a versão portuguesa da publicação ‘Política da Droga em Portugal - Os Benefícios da Descriminalização do Consumo de Drogas’ contou com a presença do magnata britânico Richard Branson, fundador da Grupo Virgin e membro da Global Commission on Drug Policy, que se deslocou propositadamente a Lisboa.  

O fim do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) e a sua substituição por uma direcção-geral com eventuais alterações na política de combate ao consumo de drogas acabou por ser a questão que dominou a generalidade das intervenções.  

Presente entre a assistência, o deputado do PS Vitalino Canas, um dos promotores da descriminalização do consumo de drogas quando o seu partido estava no poder, considerada a chave do sucesso da política do sector em Portugal, pediu a palavra para se insurgir contra qualquer redução do investimento do Governo no combate à toxicodependência.  

Eventuais cortes que venham a ocorrer para poupar dinheiro do orçamento "colocarão em risco a vida de pessoas", defendeu, numa alusão às consequências que essa decisão teria ao implicar a suspensão do tratamento de toxicodependentes. 
 
Cortar no sector para poupar "é um crime", insistiu, acrescentando que a política em vigor há dez anos, apesar de inicialmente ter a oposição dos partidos de direita, veio a tornar-se consensual e não tem merecido críticas. 

Na sessão ficaram patentes os elogios vindos de estrangeiros, a começar pelo relatório, da autoria do jornalista e investigador social polaco Artur Domoslawski, escrito com base numa série de entrevistas com responsáveis que realizou numa deslocação a Portugal.   

O presidente do ainda IDT, João Goulão, afirmou que a mudança decidida pelo actual governo de direita acarreta um "risco de perda de operacionalidade" da estrutura gerida por aquele instituto, com a agravante de ocorre numa situação de crise económica em que é previsível o aumento de consumo de drogas legais e ilegais.  

"Não tenho a evidência, mas temo que a perda de eficácia possa levar a crer-se que o sistema é ineficaz" e isso sirva de argumento para o "rever", afirmou o médico.  

Goulão aproveitou para dizer que o sucesso reconhecido da política portuguesa no combate à toxicodependência é reconhecido a nível mundial e traz todas as semanas a Portugal especialistas de vários países para a conhecerem no terreno.  

A visibilidade da estratégia nacional para o sector é "avassaladora" e "cá não temos noção disso", sustentou.  

Também com sentido elogioso foi a intervenção de Richard Branson, ao salientar que a descriminalização do consumo de drogas não implicou o aumento do uso de estupefacientes, como alegavam os opositores da medida, antes reduzindo-os, como provam os estudos.  

Um "exemplo brilhante", acentuou, tal como fez Kasia Malinowska-Sempruch, directora do Global Drug Policy Program, a quem coube apresentar a versão portuguesa do relatório do seu compatriota polaco.

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