A era dos robossexuais

Desde cedo, a ficção científica tentou criar robôs semelhantes ao ser humano. A lista de filmes é extensa, mas ‘Cherry 2000 – A Boneca Mecânica’ será o que melhor representa as previsões de alguns investigadores. David Levy, especialista na área da inteligência artificial, afirma que por volta de 2050 o ser humano irá apaixonar-se, casar-se e manter relações sexuais com robôs.

03 de novembro de 2007 às 00:00
A era dos robossexuais Foto: direitos reservados
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A tese ‘Relações Íntimas com Parceiros Artificiais’ analisa uma série de áreas sensíveis do comportamento humano, como a Psicologia, Sociologia e Sexologia. A isto associa-se ainda a robótica e inteligência artificial. Na sua polémica investigação, Levy diz que “o sexo e amor com robôs será inevitável” e explica: “A tendência da robótica é criar algo o mais parecido possível com o homem. No início, eram usados em fábricas para construir automóveis. Depois começaram a ser usados nos escritórios, a entregar correio ou em museus para fazerem visitas guiadas. Agora, já existem animais de estimação robóticos.”

David Levy acrescenta que o desenvolvimento da inteligência artificial facilitará o relacionamento entre homem e robô, criando pontos de interesses comuns. “Os psicólogos identificaram uma série de justificações para uma pessoa se apaixonar e quase todas são programáveis e aplicáveis em relações entre humanos e robôs. A mais importante é saber-se que se é amado e isso também se pode reproduzir com inteligência artificial.”

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Henrik Christensen, fundador da Rede Europeia de Investigação Robótica (EURON), vai mais longe e diz que será possível ter relações sexuais com um robô nos primeiros anos da próxima década. “Já existem empresas que comercializam bonecas reais, de silicone, para fins sexuais. É uma questão de se acrescentar electrónica e respostas pré-programadas. Falamos de algo primitivo, mas a tecnologia existe e é possível concretizar-se em breve”, sustenta.

O problema surge com a possibilidade de consumar a relação num casamento entre humanos e robôs. Mas Levy tem resposta pronta. “Há cem anos, o casamento interracial e homossexual eram impensáveis em todo o Mundo. A tendência é cada um casar-se com quem bem entender. A questão não é se vai acontecer, mas sim quando. E será muito mais cedo do que se está à espera”.

CEREJA NO TOPO DO BOLO

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Apesar de polémica, a possibilidade de um humano apaixonar-se por um robô é aceite pela comunidade científica. César Analide, vice-presidente da Associação Portuguesa para a Inteligência Artificial, do Departamento de Informática da Universidade do Minho, acredita nessa perspectiva. “Aceito a ideia, até porque o que está em jogo é a atribuição de características humanas a entidades virtuais. É um assunto muito discutido na área da Inteligência Artificial e os desenvolvimentos vão todos nesse sentido. Atribuindo-se emoções a um robô e sabendo-se que o homem é adepto de emoções, é natural que se envolva emocionalmente com um”, afirma o especialista, questionando: “Resta saber se o ser humano é suficientemente tolo para ter uma relação desse tipo.”

Certo é que os desenvolvimentos ao nível da mecânica e da electrónica abrem novos horizontes a cada ano que passa, devido aos desenvolvimentos tecnológicos que acontecem a um ritmo vertiginoso. César Analide explica que, “quando os movimentos forem cada vez mais suaves e semelhantes aos do homem, aliados ao desenvolvimento da electrónica e acrescentando uma inteligência artificial avançada, será como colocar a cereja no topo do bolo”.

BONECA REAL BATE INSUFLÁVEL

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O reinado da boneca insuflável está condenado a terminar, com o aparecimento das chamadas ‘real sex dolls’. Feitas em silicone, onde tudo é o mais idêntico possível com o ser humano, as bonecas reais incorporam um esqueleto metálico que proporcionam posições anatomicamente reais. Os pormenores vão desde os vários tipos de cabelo, à cor dos olhos, à cor das unhas e à textura da pele. De acordo com a empresa norte-americana Abyss Creations, a Real Doll não tem cheiro, sabor e está sempre disponível. Os preços variam conforme as características da própria.

E A HONDA CRIOU ASIMO, O ROBÔ HUMANÓIDE

A Honda é a empresa criadora do robô mais parecido com o homem. ‘Asimo’ é o elemento mais evoluído da sua espécie que teve início em 1986, com o E0 - duas pernas mecânicas que imitavam o andar dos humanos. Com apenas 1,30 metros e 53 quilos de peso, ‘Asimo’ consegue reconhecer rostos de pessoas e comprimentá-las correctamente. A última versão deste humanóide de fabrico nipónico consegue correr à velocidade de seis quilómetros por hora, mover e transportar objectos.

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O PEQUENO 'ANIMAL' CHAMADO TAMAGOTCHI

Desenvolvido em 1996, no Japão, o ‘Tamagotchi’ tinha o intuito de substituir o animal de estimação real por um virtual, necessitando também de ser tratado. Isso implicava alimentar, cuidar da higiene e até mimar. Caso contrário acabava por morrer.

AIBO, O CÃO DA SONY QUE VIVEU SETE ANOS

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Em 1999, a Sony criou o pequeno ‘Aibo’, robô em forma de cão que podia aprender e interagir com o dono. Sete anos depois anunciou o fim do projecto, continuando a desenvolver a tecnologia que lhe deu forma. Logo em 2006 revelou o ‘QRio’, um humanóide que ainda não chegou ao mercado.

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