Facebook quer criar dispositivo que permite ler a mente
E se fosse possível escrever algo simplesmente imaginando que estamos a falar? Este é o objetivo.
E se fosse possível escrever algo simplesmente imaginando que estamos a falar? Este é a ambição do Facebook, que divulgou esta quarta-feira novas atualizações do seu processo para conseguir descodificar atividade cerebral – o programa interface cérebro-computador (BCI) – de maneira a reproduzir pensamentos.
O projeto inicial de uma equipa de cientistas da Universidade da Califórnia, em São Francisco, é financiado pelo Facebook Reality Labs, da empresa de Mark Zuckerberg , e ajuda pacientes com doenças ou lesões neurológicas a recuperarem a fala.
O método passa por detetar intenções de discurso na atividade cerebral e transportá-las em tempo real. Através de eletrocorticografias de alta-densidade, investigadores detetam expressões orais nas ondas cerebrais, que depois descodificam em palavras e frases.
"Atualmente, pacientes com perda da fala devido a paralisia estão limitados a soletrar palavras muito lentamente e a utilizar movimentos oculares ou espasmos musculares para comunicar" revela o autor principal do estudo, o especialista em neurocirurgia Edward Chang. "Mas, em muitos casos, a informação necessária para produzir um discurso fluido está ainda no cérebro. Só precisamos da tecnologia para ajudá-los a expressarem-se."
No estudo, publicado na revista científica Nature, algoritmos utilizados pelos investigadores foram capazes de identificar a pergunta em 75% dos casos e calcular a resposta com base na atividade cerebral em 61% do total. A discrepância entre os dois números pode explicar-se, em alguns casos, na especificidade da resposta em relação à pergunta.
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