Laboratório Columbus entusiasma cientistas

A missão STS-122, que deverá abandonar a Terra na próxima quinta-feira, rumo à Estação Espacial Internacional (ISS), é uma das que está a provocar maior entusiasmo nos últimos tempos.

01 de dezembro de 2007 às 00:00
Laboratório Columbus entusiasma cientistas Foto: Direitos Reservados
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A bordo do vaivém Atlantis vai o laboratório Columbus, construído pela Agência Espacial Europeia (ESA), que promete ser a base de futuras revoluções, duplicando a capacidade de investigação da ISS.

Os especialistas da agência espacial norte-americana (NASA) consideram mesmo que a ISS entra agora numa nova fase, após cinco missões a preparar a chegada do Laboratório Columbus. “Finalmente vamos começar a utilizar grande parte da tecnologia que temos vindo a transportar para a ISS”, afirmou Michael Sarafin, director de voo da missão STS-122, referindo-se aos painéis solares e acumuladores de energia entregues nas missões anteriores.

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Com mais de seis metros de comprimento e quatro de diâmetro, este cilindro foi desenhado para acolher até três astronautas em simultâneo, que irão realizar várias experiências. Além de tentarem perceber como os seres humanos reagem em ambientes de microgravidade, os cientistas irão testar o efeito do espaço em vários líquidos e objectos, como os cristais.

Tanto a NASA como a ESA depositam grandes esperanças neste laboratório. Durante os próximos dez anos, será no interior do Columbus que irão ser efectuadas as experiências que ajudarão a compreender melhor a vida no Espaço. “É uma grande oportunidade para todos nós, pois permite-nos ter acesso permanente a um laboratório no Espaço. Cientistas de todo o Mundo podem enviar as suas experiências para serem realizadas a bordo do Columbus”, afirmou Gregor Woop, da ESA, explicando que foi construído um centro de controlo em Oberpfaffenhofen, na Alemanha, para acompanhar as experiências no laboratório espacial.

O Columbus irá juntar--se ao laboratório Destiny, construído pela NASA, e enviado para a ISS em 2001. As missões do próximo ano servirão para entregar os componentes do laboratório Kibo, fabricado pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA). Estas três unidades representarão o que existe de melhor em investigação espacial.

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Na tripulação da Atlantis, constituída por uma equipa de seis astronautas da NASA e dois da ESA, existe um que irá permanecer na ISS após o regresso do vaivém espacial à Terra. O francês Léopold Eyharts irá substituir o norte-americano Daniel Tani, permanecendo na estação espacial ao longo dos próximos três meses.

O francês Léopold Eyharts, 50 anos, é o astronauta da Agência Espacial Europeia (ESA) que ficará a residir na Estação Espacial Internacional e terá o privilégio de ser o primeiro a entrar no laboratório Columbus. Formado em Engenharia pela Academia da Força Aérea Francesa, em 1979, Léopold Eyharts foi um dos escolhidos para integrar a equipa do Centro Nacional de Estudos Espaciais. Após alguns anos de missões e experiências para a ESA, o astronauta francês foi convidado em 1998, a treinar com a agência espacial norte-americana (NASA), no Centro Espacial Johnson, em Houston.

PREOCUPAÇÕES COM INSTALAÇÃO

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Antes de começarem as experiências no interior do laboratório Columbus, a tripulação da Atlantis tem uma árdua tarefa em mãos, com a acoplagem do módulo à ISS. Até a simples acção de retirar Columbus do vaivém será um desafio, pois o laboratório foi desenhado antes de a NASA recomeçar o programa de voos espaciais após o acidente do vaivém ‘Columbia’. Nessa altura, foi acrescentado um apetrecho para inspeccionar o escudo de calor, roubando espaço no porão de carga. A “pega” que o braço robótico usa para agarrar o Columbus interfere com o sensor térmico instalado. “Tem de ser tudo executado conforme planeado. De outra forma não vamos conseguir retirar o Columbus do porão de carga”, disse Michael Sarafin, esclarecendo que, ultrapassado este obstáculo, as manobras serão bastante fáceis. No quarto dia da missão, está previsto que Léopold Eyharts possa entrar no laboratório para confirmar o sucesso da instalação.

- 360 quilómetros é a distância média a que a Estação Espacial Internacional orbita à volta da Terra, podendo ser vista a olho nu em determinadas alturas do ano.

- 3298 representam o número de dias que a Estação Espacial Internacional já está no Espaço. Percorre 15 voltas à Terra por dia, à velocidade de 27 quilómetros.

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COLUMBUS

O nome deste laboratório foi atribuído como homenagem ao navegador Cristóvão Colombo, navegador que descobriu o continente americano em Outubro de 1492.

ATLANTIS

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É o quarto vaivém espacial construído pela NASA e recebeu o seu nome em honra do primeiro navio de pesquisa oceanográfica dos EUA.

TRÊS ACTIVOS

Atlantis, Discovery e Endeavour são os três vaivéns em actividade da NASA, após a destruição do Columbia num acidente em 2003.

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