Nova fonte de células estaminais
Uma equipa de cientistas norte--americanos descobriu uma nova fonte de células estaminais no líquido amniótico – que rodeia os embriões em desenvolvimento no ventre materno – com capacidade para substituir células e tecidos lesionados por doenças como diabetes e Alzheimer.
As conclusões são de uma investigação que durou sete anos, publicada na última edição da revista ‘Nature Biotechnology’. As células estaminais foram utilizadas para criar tecido muscular e ósseo, vasos capilares, nervos e células hepáticas.
“A nossa esperança é que estas células constituam um recurso valioso para reparar e criar órgãos”, disse Anthony Atala, investigador e director do Instituto de Medicina Regenerativa da Escola de Medicina da Universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte (EUA).
Há muito que se sabia que tanto a placenta como o líquido amniótico continham células progenitoras múltiplas do embrião em desenvolvimento. “Nós perguntámo-nos: existe alguma possibilidade de encontrar verdadeiras células estaminais dentro desta população celular? A resposta é sim”, afirmou o cientista responsável pela condução desta pesquisa.
Ouvido pelo CM, o médico e professor universitário Daniel Serrão, membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, diz que “este trabalho só vem confirmar o que tenho defendido de há uns anos para cá, que é o facto de haver alternativas às células retiradas aos embriões”. E acrescenta: “Além disso, esta investigação tem a vantagem de não levantar problemas éticos, dado não ser necessária a destruição do embrião para obter as células.”
Os investigadores norte-americanos apontam ainda outras vantagens destas células em termos de aplicação médica: a sua disponibilidade imediata, a facilidade de recolha – através de amniocentese – e a sua capacidade de auto-regeneração: duplicam-se a cada 36 horas.
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