Revolução invisível prepara Web 3.0

A Internet está a sofrer uma revolução que é invisível para a maioria dos utilizadores comuns da World Wide Web. Para já, a Web 3.0 está em fase de preparação, mas em breve entrará na casa de todos. Para uns, trata-se apenas de um conceito, mas para outros a Web 3.0 representará uma nova forma de navegar: mais rápida, mais eficaz e, principalmente, com maiores potencialidades.

22 de setembro de 2007 às 00:00
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A culpa desta revolução, dizem alguns especialistas, deve-se ao ‘boom’ das redes sociais, dos inúmeros serviços de vídeo e das redes ‘peer-to-peer’. Hoje, qualquer pessoa consegue colocar uma música, uma fotografia ou até mesmo um vídeo no seu blogue, no seu Hi5 ou no seu MySpace. As possibilidades são infinitas, resultado do surgimento de aplicações mais fáceis de usar. Basta lembrar que nos anos 70 um computador não conseguiria armazenar um ficheiro de mp3.

As previsões apontam para que em 2009 a quantidade de informação a circular na Internet seja de 16 mil petabytes, isto é, sete vezes mais do que a actual quantidade. A velocidade de navegação, estima-se, será de 50 Mb por segundo.

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Segundo Pedro Veiga, presidente do conselho executivo da Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), a revolução da Internet já está em marcha, com a substituição do actual protocolo de atribuição de IP: “É uma grande revolução do ponto de vista técnico. Cada equipamento tem o seu endereço, que funciona como o remetente e o destinatário. Para se atribuir um endereço criou-se uma combinação de 32 bits. A próxima será de 128.”

A verdade é que, nos anos 70, ninguém acreditava no sucesso da Internet. Hoje, a realidade é bem diferente. O número de equipamentos com ligação à Internet aumenta de dia para dia e todos necessitam de um endereço. “É cada vez mais frequente uma pessoas ter em sua casa dois e às vezes até três computadores. Com as redes sem fios, acrescenta-se depois um telemóvel ou um PDA. Tudo isto precisa de ter um endereço. Este crescimento, à escala global, está a fazer com que seja necessário criar-se um novo sistema de atribuição de endereços”, referiu Pedro Veiga, explicando o que se está a passar actualmente no mundo da informática: “Está a verificar-se a mudança gradual do protocolo de atribuição de IP. O IPv4 deve esgotar-se em 2010. Nessa altura, o IPv6, que já existe, deverá entrar em funcionamento em grande escala.” O objectivo é simples, mas a forma de o concretizar é um pouco mais complexa. No entanto, Pedro Veiga compara o processo ao aumento de viaturas em circulação mas estradas, em que cada uma precisa de identificação própria: “Isto funciona um pouco como as matriculas dos automóveis. Em Portugal, por exemplo, começou-se com duas letras, dois números, dois números. Quando esse sistema se esgotou, passou-se então para duas letras, dois números, duas letras.”

NOVOS NOMES PARA AS PÁGINAS

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Antes da chegada da Web 3.0, os utilizadores terão a possibilidade de atribuir qualquer nome ao seu domínio, ou seja, acabaram-se as limitações dos prefixos ‘.com’, ‘.pt’ ou ‘.net’.

Em Inglaterra, os especialistas já lhe chamam a internet depois do ‘.com’ e esperam que comece a crescer já em 2008. Tudo tem um custo porém, os preços rondarão os 70 mil euros. Mas as possibilidades são imensas, com qualquer utilizador a poder dar o seu nome à sua página pessoal como, por exemplo, ‘www.aminhapagina.toni’. “Até há bem pouco tempo, os domínios terminavam em .pt ou .com”, afirmou Pedro Veiga, explicando que “entretanto, já foram criados novos domínios como os .org e .net e a esses acrescentou-se os .info, .biz, .name, .cad, .museum, .aero e .mobi”. Em breve “espera-se outros nomes, em outras línguas, com caracteres em árabe ou chinês”, referiu.

MOTORES DE PESQUISAS INTELIGENTES

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Investigadores de todo o Mundo estão a desenvolver mecanismos que irão facilitar a procura de informação na internet, tornando-a mais exacta e adequada às necessidades de cada um.

Num prazo estimado entre cinco a dez anos será possível comunicar ao seu computador que deseja um local quente, para passar férias, mas que não ultrapasse um orçamento de 1500 euros.

Ao contrário do que acontece actualmente, não obterá uma lista de milhões de páginas com informação desnecessária, mas sim um programa de férias totalmente adaptado aos seus critérios de pesquisa, como se tivesse sido elaborado pelo funcionário de um operador turístico.

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Apesar de este cenário ser ainda uma miragem, as experiências em torno da semântica da web começam a dar os primeiros passos. As actuais investigações dividem-se na criação de uma nova megaestrutura, destinada a substituir a actual World Wide Web, e no desenvolvimento de aplicações de forma a aproveitar aquilo que já existe.

WWW SURGE EM 1989 NA SUÍÇA

A World Wide Web (WWW) foi criada em 1989 pelo inglês Tim Berners-Lee e pelo belga Robert Cailliau, ambos cientistas no Centro Europeu de Investigação Nuclear da Suíça.

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A necessidade de partilhar informações entre investigadores espalhados por todo o Mundo aguçou o engenho. O que aconteceu nos anos seguintes é do conhecimento de todos.

WEB 3.0

Será o futuro da internet. A Word Wide Web deixará de existir, assumindo a designação de World Wide Database. Deixa de ser uma rede de documentos para ser uma rede de informação.

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WEB 2.0

É a actual utilização das funcionalidades disponíveis na internet, caracterizada pelo boom das redes sociais, televisão on-line, vídeos e redes peer-to-peer. A Web 1.0 representou a implementação e popularização da rede.

IPv6

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Com 128 bits, é a versão 6 do protocolo IP, que substitui o IPv4 de 32 bits, cuja capacidade permite a existência de apenas quatro mil milhões de endereços

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