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Correio da Manhã

Tecnologia
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À procura da energia limpa

A mais recente meta científica no que a uma eficaz resposta para a crescente procura mundial de energia diz respeito é chegar à fusão termonuclear controlada, a mesma que ocorre no Sol e demais estrelas, dando um passo para a criação de centrais eléctricas movidas a fusão nuclear.
2 de Maio de 2009 às 00:30
À procura da energia  limpa
À procura da energia limpa FOTO: d.r.

Trata-se do único processo que poderá constituir a médio ou longo prazo uma fonte de energia limpa, potente, praticamente inesgotável, segura, amiga do ambiente e economicamente atractiva, capaz de contribuir para a solução global dos problemas energéticos da Humanidade, numa óptica de desenvolvimento sustentado. Apesar do cepticismo de uma parte da comunidade científica, as pesquisas com fusão nuclear estão agora a ganhar fôlego, depois de décadas de propostas e de planeamento.

Num campo onde tudo parece ser descomunal, um gigantesco raio laser do reactor norte-americano National Ignition Facility (NIF) vai tentar fazer a fusão nuclear comprimindo núcleos de hidrogénio. A mesma intenção tem o projecto International Thermonuclear Experimental Reactor (ITER), de um consórcio internacional no qual Portugal está incluído, via União Europeia, que usará campos magnéticos para conter uma verdadeira estrela artificial.

Quando entrar em funcionamento, no próximo ano, o National Ignition Facility, no Lawrence Livermore National Laboratory, na Califórnia, realizará uma experiência única na história da Humanidade. Pela primeira vez será reproduzido, num ambiente controlado, o interior de uma estrela.

O NIF é um enorme edifício, com 214 metros de comprimento, 122 metros de largura e 25 metros de altura, onde estão instalados os 192 mais poderosos lasers já construídos, que criarão a maior concentração de energia produzida no planeta Terra.

SÓIS EM MINIATURA

Explorando um campo absolutamente novo, os cientistas devem comprovar que cada detalhe da sua teoria funciona conforme vão construindo os equipamentos com base nessas teorias. Isso também irá oferecer novas oportunidades de estudar o cosmos: a fusão nuclear não é só uma fonte de energia potencial, é o motor que queima no centro das estrelas. Até hoje, só foi replicada com sucesso na explosão de armas nucleares, mas, por gerar temperaturas de mais de cem milhões de graus e pressões superiores a cem mil milhões de atmosferas,os cientistas poderão produzir sóisem miniatura, por encomenda.

APONTAMENTOS

MAIOR SEGURANÇA

Perante os actuais reactores nucleares baseados na cisão, os de fusão são absolutamente seguros, pois em caso de uma avaria, como a que ocorreu em Chernobil, a reacção termonuclear é cancelada em milésimos de segundo.

CICLO DE VIDA ESTELAR

Numa escala muito reduzida, os pesquisadores esperam que o NIF permita reproduzir o ciclo de vida estelar e as condições que fazem com que as estrelas morram em violentas explosões.

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