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Cancro não é sinónimo de morte, mas de luta

Não é nada. Entalei-me no banco do carro e estou só magoada”, foi a explicação dada por Manuela Maria ao médico no dia em que se deslocou a uma clínica particular para fazer uma mamografia. Pouco depois abandonava o local com um diagnóstico de cancro da mama e 15 dias mais tarde estava a ser operada.<BR>Dezoito anos depois de ter ultrapassado o problema, a actriz de 72 anos reconhece que nunca pensou que enfrentaria essa doença. “Estava sempre alerta em relação a esta questão, tinha uma rotina, fazia apalpação e todos os exames de rotina, mas como prevenção e nunca me passou pela cabeça que isto me pudesse acontecer”, recorda ao CM.

28 de outubro de 2007 às 00:00

Um dia, ao fazer uma manobra no seu automóvel, deu uma leve pancada no peito, que inchou, facto que a levou a procurar o médico. “Fui por minha iniciativa fazer uma mamografia só porque tinha o peito dorido”, recorda.

A actriz encarou o que lhe estava a suceder com optimismo, vendo o cancro como “um desafio que tinha de ultrapassar, pois um cancro não é sinónimo de morte, mas sim de luta”. “Nunca pensei negativamente”, acrescenta. “Não precisei de fazer tratamentos e 15 dias depois da operação já estava a trabalhar. Continuei com tournées, televisão, teatro e tudo ao mesmo tempo.”

RECUSA DO TABU

Manuela Maria considera que o sucesso da sua recuperação ficou a dever-se sobretudo “à rapidez com que tudo se processou”, pelo que aconselha a todas a mulheres a terem uma atenção especial aos indícios de que a doença pode existir. “Nestes casos o tempo é precioso e aconselho a todas as mulheres rapidez”, disse ao CM.

Devido às várias iniciativas em que tem participado, Manuela Maria é muitas vezes procurada por mulheres com o mesmo problema, às quais aconselha “a não terem medo e a recorrerem ao médico logo à primeira indicação de que algo não está bem”. A actriz diz ter “um imenso respeito por todas as mulheres”, mas considera “um grande disparate não realizar os exames de rotina, que tiram qualquer dúvida e podem fazer toda a diferença”.

Admitindo que “cada caso é um caso e que cada pessoa sente o problema à sua maneira”, julga ser importante “não fazer disto um tabu”. “Divulguei o meu problema em público oito dias depois da operação numa entrevista feita pelo Herman José”, recordou ao CM.

Manuela Maria nasceu a 26 de Janeiro de 1935. Estreou-se no teatro de revista em 1958, tendo participado em comédias nos teatros do Parque Mayer. Participou em diversos filmes, de 1968 a 1994, e é actriz regular na televisão, onde participa em novelas e séries. Actualmente faz parte da direcção da Casa do Artista, continuando activa no teatro e televisão. Foi casada com o actor Armando Cortez.

COMUM ENTRE AS MULHERES

O cancro da mama é o mais comum entre as mulheres (não considerando o cancro da pele) e corresponde à segunda causa de morte do foro oncológico no sexo feminino. Esta é uma das doenças com maior impacto na sociedade, não só por ser frequente – e muitas vezes fatal – mas também porque agride um órgão com simbolismo ao nível da maternidade e feminilidade. Não é conhecida uma causa específica para este tipo de cancro, mas está associado a diversos factores de risco como a idade, o historial de casos na família, alterações genéticas ou consumo de bebidas alcoólicas. Os exames de rastreio e um diagnóstico precoce são factores essenciais para aumentar o sucesso no tratamento da doença.

NÚMEROS

São detectados anualmente cerca de 4500 novos casos de cancro da mama em Portugal, sendo que 1500 mulheres morrem da doença. Uma em cada dez mulheres vai desenvolver este tipo de cancro ao longo da vida. A taxa de sobrevivência é de 95 por cento se for detectada nos primeiros cinco anos.

HOMENS

Cerca de um por cento de todos os cancros da mama em Portugal atinge homens. Embora grande parte da informação divulgada sobre a doença lhes seja também aplicável, estes continuam pouco atentos.

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