Afirmou ter "orgulho" em receber o que é hoje "o maior evento presencial no mundo em relação à área da tecnologia".
O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, reconheceu esta terça-feira que, apesar de a pandemia ter levado o mundo digital para a vida das pessoas, há necessidade de eventos presenciais com as características da Web Summit.
"Para todos nós é uma emoção conseguir estarmos a fazer um evento com esta dimensão em Portugal e aquilo que sinto a falar com as pessoas é que, apesar de a pandemia nos ter trazido toda da ideia do mundo digital, o mundo da presença física ainda é mais importante, sentimos essa necessidade", disse Carlos Moedas aos jornalistas, na sala de conferências da 'media village' do evento internacional, na Altice Arena, em Lisboa.
Carlos Moedas referiu ser com "grande orgulho" como presidente da Câmara de Lisboa que recebe um evento internacional que é hoje "o maior evento presencial no mundo em relação à área da tecnologia", salientando a sua importância no impacto para a cidade em termos de hotelaria, restauração e pequenos negócios.
"Esse impacto é importantíssimo, mas terá mais impacto no futuro, se conseguirmos dar o passo seguinte que é o de não só organizar a Web Summit, mas que muitos destes empreendedores possam ficar em Lisboa e construir aqui as suas empresas", acrescentou.
O recém-eleito presidente da câmara salientou a importância de "atrair o talento" dos empreendedores, assumindo-se como o "embaixador" que irá defender essas pessoas que vierem para Lisboa desenvolver os seus projetos.
"Lisboa é uma cidade aberta a empresas que podem hoje estar em outras partes do mundo", reconheceu.
Na conferência de imprensa, Moedas começou por dirigir-se ao público em inglês, respondendo sempre em português quando questionado pela imprensa nacional, salientando o "enorme privilégio" por participar no evento, ao qual participou sempre como comissário europeu e, este ano, o primeiro como presidente da autarquia.
Carlos Moedas lembrou aos presentes ser uma "pessoa prática que traz para a mesa soluções práticas de forma a melhorar a vida das pessoas", lembrando o anúncio feito na véspera, relativo à fundação em Lisboa da "Fábrica de Unicórnios".
"Trata-se de uma grande ideia, mas se não tiver um grande mentor, um grande 'design', as coisas podem não se realizar", disse, sustentando que o objetivo é haver um local "onde os empreendedores podem construir uma companhia, ajudando-os a desenvolver e a concretizar a sua ideia".
Respondendo a um jornalista norte-americano que o questionou sobre o seu projeto de sustentabilidade para a cidade de Lisboa, Moedas reconheceu que "uma cidade sustentável se faz com transportes públicos que devem ser gratuitos para todos", lembrando que para já irá começar com os jovens até aos 23 anos e os maiores de 65 anos.
"Não se trata de uma medida social, mas mais de mobilidade. Os jovens têm de começar a usar os transportes públicos", salientou, considerando igualmente, que a sustentabilidade passa por construções com melhor qualidade, reconhecendo a "pobreza energética" existente.
Carlos Moedas partilhou na conferência de imprensa uma ideia que já tinha defendido um pouco antes, numa ronda de perguntas e respostas perante uma plateia sobretudo de jovens, de que as companhias que valem milhões devem partilhar os seus lucros com aqueles que pouco possuem.
"Há companhias que valem milhões, muitas vezes são mais ricas que alguns países, claro que podem ter aspirações tecnológicas para crescer, mas devem também pensar nas pessoas da cidade que não têm as mesmas condições. As companhias devem ser responsáveis e a missão, enquanto jovens, é pensarem na complementaridade. Devem crescer, mas partilhando os 'lucros' com quem pouco tem", frisou.
Fundada em 2010 por Paddy Cosgrave, Daire Hickey e David Kelly, a Web Summit é um dos maiores eventos de tecnologia, inovação e empreendedorismo do mundo e evoluiu em menos de seis anos de uma equipa de apenas três pessoas para uma empresa com mais de 150 colaboradores.
A cimeira tecnológica, que nasceu em 2010 na Irlanda, passou a realizar-se em Lisboa em 2016 e vai manter-se na capital portuguesa até 2028.
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