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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Cláusula de IA nos contratos de atores infantis que dão voz à "Porquinha Peppa" gera polémica

Mais de mil atores, agentes de talentos e outros profissionais assinaram uma carta aberta organizada pela Associação de Agentes de Jovens Artistas condenando estas ações e exigindo práticas responsáveis da indústria.

26 de junho de 2026 às 01:07

Novas cláusulas contratuais que exigem que os atores infantis que dão voz ao desenho animado 'Peppa Pig' cedam as vozes à inteligência artificial (IA) estão a gerar controvérsia e indignação na indústria cinematográfica.

Em resposta às novas cláusulas da Hasbro, que adquiriu a marca nos EUA em 2019, mais de mil atores, agentes de talentos e outros profissionais assinaram uma carta aberta organizada pela Associação de Agentes de Jovens Artistas (AYPA) condenando estas ações e exigindo práticas responsáveis da indústria.

"Recentemente, um grande estúdio, detentor dos direitos de propriedade intelectual de uma franquia infantil internacional e produtor de uma série de animação de longa duração, ofereceu contratos a atores exigindo o seu consentimento para a utilização de IA, o que permitiria a utilização da voz da criança em todos os produtos comerciais da franquia", pode ler-se na carta.

"Perante a recusa inflexível em remover esta cláusula, escrevemos esta carta para deixar claro que não a aceitaremos e para chamar a atenção da indústria para esta questão", acrescentaram os signatários.

Embora a carta não mencione explicitamente 'Peppa Pig', fontes da indústria confirmaram à publicação especializada Deadline que se refere à popular série infantil.

A carta também não especifica em detalhe a cláusula em causa, mas, segundo a mesma fonte, poderá conceder à Hasbro o poder de clonar a voz de uma criança e utilizar áudio gerado por IA em anúncios publicitários da 'Peppa Pig'.

"Qualquer acordo que envolva a voz de uma criança deve ser completamente livre do uso de IA. A sua voz não deve tornar-se um ativo comercial permanente antes de ter capacidade legal e pessoal para decidir por si própria", sublinharam os autores da carta.

"Rejeitamos todos os contratos que exigem que os artistas infantis renunciem aos seus direitos de voz indefinidamente e sem limites", concluíram.

Em resposta à controvérsia, a empresa declarou ao meio de comunicação social que está empenhada na proteção dos atores infantis e que procura transparência e responsabilidade ao abordar debates sobre inteligência artificial.

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