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Correio da Manhã

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Descoberta aranha herbívora na América

Cientistas de duas universidades norte-americanas descobriram uma nova espécie de aranha que é vegetariana, preferindo alimentar-se de néctar de flores em vez de moscas.
15 de Outubro de 2009 às 11:31
Descoberta aranha herbívora na América
Descoberta aranha herbívora na América FOTO: DR

A nova espécie, descoberta no México e América Central, recebeu a denominação de ‘Bagheera kiplingi’, baseado no nome do Nobel da Literatura e autor de ‘O Livro da Selva’, Rudyard Kipling e numa das personagens desse mesmo livro, a pantera ‘Bagheera’.

A aranha apresenta um corpo coberto de pêlos e uma coloração avermelhada. Alimenta-se de uma espécie de acácia que tem co-evoluído com um género de formigas, estabelecendo uma relação de simbiose, isto é os insectos protegem a planta de herbívoros e esta proporciona-lhes abrigo debaixo dos seus espinhos, ao mesmo tempo que lhes cede alimento na forma de néctar.

O estudo é agora avançado por dois grupos de investigação na revista norte-americana 'Current Biology', depois de terem acompanhado o aracnídeo alguns anos.

De acordo com as informações obtidas pelos cientistas, as aranhas ‘Bagheera kipling’ também gostam do mesmo néctar que as acácias fornecem às formigas, sendo um alimento que chega a constituir 90 por cento da sua alimentação.

O comportamento desta espécie de aranha foi observado pela primeira vez por Eric Olson, da Universidade de Massachusetts, durante uma investigação na Costa Rica em 2001. No entanto, Olson comprovou que alguns destes seres completavam a sua dieta vegetariana com larvas de formiga.

Alguns anos mais tarde, em 2007, Christoper Meehan, da Universidade Villanova na Pensilvânia, observou que as ‘Bagheera’ mexicanas também se alimentavam do néctar das acácias, mas sem a adição de qualquer insecto na sua alimentação.

Antes destas investigações serem apresentadas, os cientistas já tinham observado que algumas aranhas ingeriam gotas de pólen, mas de forma muito pontual, apenas quando estas caíam nas suas teias.

Relativamente à forma como as ‘Bagheera’ conseguem fugir às formigas, que por vezes têm colónias com mais de 15 mil obreiras, Meehan acredita que estas “possuem habilidades sociais muito avançadas e uma grande agilidade nas suas oito patas, conseguindo escapar e fazer teias nas zonas menos atractivas das folhas.”

O investigador acredita ainda que esta aranha “utilize um odor químico, semelhante ao das formigas”, estando a aprofundar os seus estudos nessa área.

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