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EUA abrem guerra às alterações climáticas

Os Estados Unidos dão sinais claros de quererem liderar a luta contra as alterações climáticas. A recente decisão da EPA – Agência de Protecção Ambiental norte-americana – de reconhecer o dióxido de carbono e outros cinco gases como prejudiciais à saúde pública e com efeitos negativos para o meio ambiente deixa antever que na próxima cimeira ambiental a realizar-se em Dezembro em Copenhaga, na Dinamarca, os EUA terão uma palavra fundamental para definir as novas regras de combate aos gases com efeito de estufa.
25 de Abril de 2009 às 00:30
Icebergues desfazem-se perto do Cabo York, na Gronelândia
Icebergues desfazem-se perto do Cabo York, na Gronelândia FOTO: direitos reservados

Da cimeira deste ano resultará a criação de um novo protocolo mundial que irá prosseguir com os ideais estabelecidos no documento emanado de Quioto, em 1997, cujo período de acção termina em 2012. Os EUA não ratificaram o tratado e, durante a administração de George W. Bush, não reconheceram o dióxido de carbono como um gás poluente.

Perante esta mudança de atitude, o encontro de Dinamarca promete ser ainda mais decisivo para o Planeta. Desta vez, a administração de Barack Obama pretende ser um exemplo para inúmeros países em desenvolvimento que só admitem reduzir as suas emissões de dióxido de carbono se os EUA mostrarem abertura para o fazer. O próximo passo da EPA será, segundo analistas ambientais, garantir que todos os estados possam impor limites às emissões de dióxido de carbono dos automóveis.

No dia internacional da Terra, na passada quarta-feira, Barack Obama deu uma nova esperança ao Planeta, anunciando uma revolução energética para o país. Motivado pelo discurso do presidente norte-americano, o ministro dinamarquês do Ambiente, e um dos anfitriões da cimeira deste ano, aproveitou para lançar um desafio aos Estados Unidos no que diz respeito ao aproveitamento das energias renováveis: 'Por favor, sejam melhores do que nós.'

DISCURSO DIRECTO

'VAMOS TER DE RESOLVER O CO2' (Hélder Spínola, Dirigente da QUERCUS)

Correio da Manhã – Como encara a mudança de postura do governo americano em face das emissões de CO2?

Hélder Spínola – É uma mudança essencial para que o assunto tenha outra importância e se consiga brevemente chegar a acordo mundial em matéria de redução das emissões destes gases com efeito de estufa. Os EUA são um dos maiores emissores de CO2 do Mundo e, como tal, uma solução consequente para minimizar o problema passa inevitavelmente pelo seu contributo.

– Segundo os ecologistas, travar as alterações climáticas custa 500 mil milhões de euros por ano. Em tempo de crise mundial, é justo despender tal verba?

– É um custo baixo se tivermos em conta as consequências de não fazermos nada. Na verdade, o investimento não teria apenas efeitos na minimização do problema das alterações climáticas, serviria também para criar emprego. Neste momento de crise, é um aspecto importante em termos sociais e económicos.

– Se não se travar as emissões de CO2 o PIB mundial cairá 20%. Está de acordo?

– Um estudo do economista britânico Nicholas Stern aponta nesse sentido e diz mesmo que para o evitar bastará investir actualmente cerca de 2% do PIB mundial. As alterações climáticas não são apenas um problema ambiental, mas, cada vez mais, um problema económico e social que a Humanidade terá de resolver.

APONTAMENTOS

MAIOR POLUIDOR

Estima-se que a China seja responsável por quase 20% de toda a poluição.

EUA QUASE IGUAL

Os Estados Unidos poluem quase o mesmo do que a China, mas têm um quinto da população.

PORTUGAL E QUIOTO

Portugal acordou aumentar as emissões de CO2 em 27% em 2010 relativamente a 1990, limite já ultrapassado.

 

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