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Correio da Manhã

Tecnologia

Europa tenta recuperar liderança ambiental

Os ministros europeus do Ambiente estão reunidos em Sevilha, Espanha, para delinear uma estratégia que permita à União Europeia recuperar a liderança mundial no combate às alterações climáticas. Um dos assuntos em cima da mesa é o fracasso da Cimeira de Copenhaga, na Dinamarca, marcada pelo acordo negociado principalmente pelos EUA com Índia, China, Brasil e África do Sul.
17 de Janeiro de 2010 às 00:30
Os ministros do Ambiente dos 27 da União Europeia estão reunidos em Sevilha, Espanha
Os ministros do Ambiente dos 27 da União Europeia estão reunidos em Sevilha, Espanha FOTO: Julio Muñoz/EPA

O mote para este encontro informal dos 27 ministros foi dado durante a semana pelo presidente do Conselho Europeu. O belga Herman Van Rompuy sublinhou a necessidade de se retirar ilações do fracasso de Copenhaga, de forma a que a Europa continue a ser uma força motriz nas negociações sobre as alterações climáticas.

O encontro em Sevilha é presidido por Teresa Ribera, secretária de Estado espanhola do Ambiente, em substituição da ministra do Ambiente, Elena Espinoza. "O objectivo da União Europeia é avançar no caminho internacional para o México. Temos de incitar toda a sociedade para que nos ajude neste objectivo que queremos conseguir", afirmou Teresa Ribera durante a abertura do encontro, considerando que "o lugar onde se deve realizar os grandes processos de negociação é na ONU".

Dulce Pássaro, ministra portuguesa do Ambiente, também está no encontro, e destacou a importância de se aproveitar o combate às alterações climáticas como via de modernização: "Portugal tem claramente diagnosticado que a via do combate às alterações climáticas representa uma oportunidade de desenvolvimento e não de constrangimento. É uma oportunidade de modernização para a economia portuguesa", afirmou.

AUMENTO DE DOIS GRAUS É INEVITÁVEL

Filipe Duarte Santos, professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, especialista em alterações climáticas, considera inevitável o aumento de dois graus da temperatura média global. "Já não é possível dizer que não iremos ultrapassar os dois graus centígrados, tidos como o nível de segurança a partir do qual há consequências irreversíveis", afirmou,explicando que a fusão do gelo da Gronelândia e de outros glaciares de montanha são o que mais contribui para a subida do nível do mar: "No Bangladesh, seis milhões de pessoas vivem numa faixa costeira com a altitude máxima de um metro."

CAUDAIS SERÃO REPOSTOS

"Vai haver a reposição dos caudais, de acordo com os nossos interesses", garantiu Dulce Pássaro, ministra do Ambiente, referindo-se ao incumprimento do caudal do Tejo por parte das autoridades espanholas. O calendário para a reposição dos cerca de 300 hectómetros cúbicos de águas correspondentes ao valor de incumprimento do caudal mínimo do Tejo, correspondente ao último ano hidrológico, ainda não está definido. Presente no encontro de ministros do Ambiente em Sevilha, Dulce Pássaro realçou a excelente colaboração entre Portugal e Espanha em matéria de água. "Pode sempre fazer-se mais. Mas concordamos na necessidade de reforçar o secretariado da convenção, com mais recursos técnicos para se aprofundar os temas e haver mais eficiência, designadamente nas trocas de informação", afirmou Dulce Pássaro, sustentando: "Isso é facilmente ultrapassável. Temos uma relação construtiva. Ainda esta semana a reunião que ocorreu permitiu convergir no essencial."

PORMENORES

MÉXICO

A próxima conferência-quadro das Nações Unidas para as alterações climáticas realiza-se em Novembro, no México.

EMISSÕES DE CO2

Os ministros vão decidir se a União Europeia mantém os vinte por cento de redução de CO2 ou se passa para trinta até 2020.

EUA CRÍTICOS

Os negociadores dos EUAconsideraram que a Cimeirade Copenhaga foi caótica além de improdutiva.

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