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Correio da Manhã

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Luta para acabar com carros nas cidades pode depender do tempo de vida dos telemóveis

Relatório do European Environmental Bureau (EEB) alerta para o facto de existirem mais de 210 milhões de novos smartphones por ano.
Sofia Martins Santos 2 de Outubro de 2019 às 16:30
Falar ao telemóvel
Falar ao telemóvel FOTO: Getty Images

Os smartphones vieram transformar a nossa vida. As vantagens que nos trouxeram são incontáveis e já poucos recordam os tempos em que não existiam, mas são também bombas ambientais que carregamos no bolso. De acordo com um relatório do European Environmental Bureau (EEB), os smartphones duram atualmente uma média de três anos. No entanto, para que fosse possível compensar o impacto que têm no meio ambiente seria necessário que tivessem uma vida útil de 25.

De todos os produtos elétricos e eletrónicos, a organização afirma que fabricar smartphones é de longe o que mais prejudica o ambiente em toda a Europa. Ainda assim, para a EEB, bastaria que a vida útil destes produtos se prolongasse por mais um ano em relação ao que acontece atualmente e o impacto positivo seria maior do que a maioria possa julgar. Um ano a mais na validade média destes aparelhos equivaleria, de acordo com a organização, à retirada de dois milhões de carros das estradas durante um período de doze meses. De acordo com o EL Mundo, que cita a organização, falamos de uma redução de quatro toneladas métricas de dióxido de carbono.

A análise da organização mostra ainda que o forte impacto negativo no ambiente está diretamente ligado à "intensidade de energia e materiais envolvidos na produção dos componentes, conteúdo especial e materiais críticos".

Perigo aumenta

Um dos pontos que mais chama a atenção na referida análise é o facto de, na União Europeia, existirem mais de 210 milhões smartphones a serem vendidos por ano. Segundo o referido estudo, estes produtos estão muito ligados a modas e a uma necessidade de serem continuamente atualizados. Por isso, muitos acabam por ser substituídos ainda durante o tempo em que estão em pleno funcionamento. Ou seja, tudo acaba por apontar para uma vida útil mais curta que pesa no ambiente.

 A somar a isto, está o facto de as "fases de não uso" terem um impacto entre 51 a 92% no aquecimento global. Entre estas fases está o transporte e até mesmo todo o processo envolvido no fim de vida dos aparelhos.

 "Embora seja difícil avaliar se as empresas estão a reduzir propositadamente a vida útil dos equipamentos eletrónicos, a proporção de dispositivos defeituosos substituídos pelos consumidores aumentou de 3,5% em 2004 para 8,3% em 2012", explicou, no final do mês passado, a associação Zero.

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