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Correio da Manhã

Tecnologia
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O Regresso à Lua

A Lua está de novo na moda. A 385 mil quilómetros de distância, o satélite natural da Terra é um alvo óbvio dos programas das potências espaciais emergentes e até os norte-americanos, os únicos que ali pousaram, se interessam de novo na Lua, agora com objectivos mais ambiciosos: querem colonizá-la, primeiro passo natural antes da chegada a Marte.
22 de Dezembro de 2007 às 00:00
Há que praticar, vivendo, trabalhando e fazendo experiências na Lua, a dois ou três dias de viagem, antes de se encetar idas muito mais arriscadas de seis meses a Marte, até porque os dois astros têm muita coisa em comum: a Lua tem a sexta parte da gravidade da Terra e Marte um terço; a Lua não tem atmosfera, a atmosfera marciana é escassa; a Lua pode atingir temperaturas muito baixas, como 240 graus negativos à sombra, enquanto Marte varia entre 20 graus e 100 negativos.
Nos últimos 35 anos os astronautas não foram além das órbitas baixas da Terra, pelo que a Lua, ‘a dois passos’, continua a ser um importante objectivo: ainda não sabemos como viver noutro corpo planetário, em condições muito adversas. A construção de uma base lunar é apenas um pequeno passo na preparação de voos mais largos, destino inevitável a que a Humanidade está condenada.
Os EUA, como maior potência espacial, tomaram a responsabilidade de voltar a colocar homens na Lua, a partir de 2020, mas depois de abandonarem o velho ‘Saturno V’ do programa Apolo, ainda não têm nenhum foguetão que consiga colocar homens e carga no Espaço com destino ao satélite natural. Ou, melhor dizendo, não tinham: entretanto a NASA desenvolveu o programa Orion – uma cápsula tripulada impulsionada pelo foguete ‘Ares’, só operacional em 2012 – embora a tecnologia neste campo não tenha evoluído muito desde os anos 60.
A NASA pretende estabelecer uma base, alimentada a energia solar, no pólo sul lunar, que goza de uma longa exposição do Sol, ideal para a produção de electricidade, permitindo extrair hidrogénio e oxigénio para produzir água e combustível para os motores das naves.
Com este posto avançado pode aprender a usar os recursos naturais da Lua, fazer uma ampla gama de experiências científicas e estimular a participação internacional.
MUITAS POTÊNCIAS NA GRELHA DE PARTIDA PARA CONQUISTAR A LUA
EUA DE VOLTA APÓS 30 ANOS
Após uma pausa de 30 anos, a NASA vai enviar para o ano a sonda ‘Lunar Reconnaissance Orbiter’, que identificará possíveis recursos lunares e locais de descida. Em 2011 uma nova missão vai medir o campo de gravidade e descobrir a formação da Lua. É a missão GRAIL (Gravity Recovery and Interior Laboratory) constituída por duas sondas que fornecerão imagens de Raios X da crosta até ao núcleo.
EUROPA COM PROJECTO LIFE
A Europa, através da sua agência espacial, já em 2003 tinha iniciado a aventura lunar através da missão Smart 1. Planeia agora uma sonda não tripulada para pousar em meados da próxima década, inserida no projecto LIFE (Lunar Infraestructure For Exploration). Também a Rússia está a trabalhar num sistema de transporte espacial que pode futuramente levar à industrialização da Lua, a nave ‘Kliper/Parom’.
JAPÃO ESTUDA COMPOSIÇÃO
O Japão lançou recentemente a sua primeira missão de prospecção lunar. O objectivo do satélite ‘Kaguya’ (Selene) é sintetizar informações sobre a origem e composição da Lua além de estudar a eventual possibilidade de uma base humana permanente. A Agência de Prospecção Aeroespacial do Japão (Jaxa) considera esta missão, de dez meses, a mais importante desde o programa norte-americano Apolo (1963/72).
CHINA E ÍNDIA AVANÇAM
No passado dia 5 de Novembro entrou em órbita lunar o satélite chinês ‘Chang’E 1’, que está a examinar o solo e a elaborar um mapa tridimensional com vista a uma missão tripulada a partir de 2020. Também a Índia dedicou 70 milhões de euros para criar uma sonda semelhante, a ‘Chandrayaan-1’, para estudar a geologia da Lua a partir de 2008. Três anos mais tarde, a ‘Chandrayaan-2’ depositará robôs em solo lunar.
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