Barra Cofina

Correio da Manhã

Tecnologia
1

Objectivo de limitar aquecimento global a 2ºC ainda é exequível

O objectivo internacional de limitar o aquecimento global a dois graus centígrados ainda é exequível, desde que se reduzam as emissões em 15% até 2020, indica um estudo divulgado esta sexta-feira.
30 de Novembro de 2012 às 17:31
Ciêntistas defenderam esta sexta-feira, na conferência de Doha, que ainda é possível limitar o aquecimento global
Ciêntistas defenderam esta sexta-feira, na conferência de Doha, que ainda é possível limitar o aquecimento global FOTO: Reuters

No estudo, publicado no âmbito da 18.ª Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas, a decorrer em Doha, os cientistas alertaram contra o pessimismo crescente de que o objectivo da ONU já está fora de alcance. "Limitar o aquecimento global a 2ºC, ou mesmo a 1,5ºC, continua tecnicamente e economicamente exequível, mas só com ambição política suportada por uma acção rápida que comece já", disseram os investigadores. "Se não se fizer mais nada do que as promessas atuais [de cada país em termos de redução das emissões], os custos de alcançar as reduções necessárias serão muito mais elevados", acrescentaram.

Nos dias que antecederam a conferência de Doha, que se prolonga até 7 de Dezembro, o Banco Mundial admitiu uma probabilidade de 20% de um aumento da temperatura global de 4ºC até 2100. Num relatório diferente, o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP, na sigla em inglês) estimou um aumento de 3ºC a 5ºC, com base nas promessas atuais.

No estudo divulgado esta sexta-feira, os cientistas alertaram que as emissões têm de ser reduzidas em cerca de 15%, relativamente aos níveis atuais e até 2020, para que o mundo entre no trilho que permite manter o aquecimento abaixo dos 2ºC para 2100.

Actualmente, as emissões de gases com efeitos de estufa, acusadas de contribuir para o aquecimento global, estão a atingir máximos históricos. Os níveis de dióxido de carbono - o factor produzido pelo homem que mais contribui para as alterações climáticas - aumentou em 2011 para 390,9 partes por milhão (ppm), valor que é 2,0 ppm mais alto do que em 2010 e 40% mais elevado do que na época pré-industrial (289 ppm), informou a Organização Meteorológica Mundial na terça-feira.

O estudo divulgado, intitulado "Climate Action Tracker", é um relatório regularmente actualizado, compilado pelo Instituto Potsdam de Investigação em Impacto Climático (PIK), pela organização não governamental alemã Climate Analytics e pela Ecofys, uma consultora europeia em energias renováveis.

Também hoje, na conferência de Doha, a responsável das Nações Unidas pelo clima, Christiana Figueres, apelou aos cidadãos para que não esperem apenas decisões dos governos para combater o aquecimento global, considerando antes o seu próprio papel na resolução do problema.

A responsável lamentou não ver "muito interesse público e apoio para que os governos tomem decisões mais ambiciosas e corajosas (...) cada um deve assumir a responsabilidade. Não são só os governos domésticos", disse Figueres.

A conferência de Doha, que começou na segunda-feira, reúne representantes de 194 países, que procuram consensos sobre a forma de reduzir as emissões de gases com efeitos de estufa e limitar o aquecimento global, mas as expectativas de avanços significativos são baixas.

CIÊNCIA ONU AQUECIMENTO GLOBAL CLIMA
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)