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Correio da Manhã

Tecnologia
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Planeta Mercúrio revela segredos

Mais de 30 anos após a primeira e única visita a Mercúrio, a NASA, agência espacial norte-americana, regressa ao primeiro planeta do sistema solar para realizar três aproximações que permitirão conhecer melhor o pequeno astro. As observações feitas pela ‘Mariner 10’, com as limitações tecnológicas dos anos 70, forneceram algumas respostas, mas levantaram ainda mais perguntas a que a sonda espacial ‘Messenger’ pretende responder.
9 de Fevereiro de 2008 às 00:30
A primeira aproximação à superfície de Mercúrio, feita em Janeiro deste ano, já permitiu conhecer melhor o rosto do planeta. Estas viagens, segundo o astrónomo português Rui Agostinho, serão fundamentais para compreender a história de Mercúrio. “A cartografia de um planeta é fundamental. Não existindo elementos de erosão à superfície de Mercúrio, as crateras mantêm-se por muito mais tempo”, diz ao ‘CM’, sublinhando a sua importância “para perceber há quanto tempo a superfície solidificou”. Através desse retrato cartográfico, é possível tirar conclusões sobre a existência de um campo magnético e de uma atmosfera. “A ‘Mariner 10’ registou valores muito tímidos de ambos. As leituras da ‘Messenger’, por sua vez, já registaram dados superiores. Conclui-se que o interior de Mercúrio ainda não estará totalmente solidificado, apesar do seu tamanho reduzido”, sustenta o director do Observatório Astronómico de Lisboa, acrescentando que as segunda e terceira aproximações à superfície irão confirmar os dados obtidos. Ainda a missão da ‘Messenger’ vai no adro, outra está já a ser preparada. Em 2013, Mercúrio terá a visita da sonda espacial europeia ‘BepiColombo’.
A VOLTA DE MERCÚRIO
PRIMEIRO PLANETA DO SISTEMA SOLAR
Mercúrio dista 57,9 milhões de quilómetros do Sol. É o primeiro, seguido de Vénus. Estes dois planetas são os únicos sem satélite natural. É também o mais pequeno de todos, com apenas 4879 quilómetros de diâmetro.
VELOZ MENSAGEIRO DOS ROMANOS
Demora apenas 88 dias terrestres a completar o seu período orbital, viajando a 48 quilómetros por segundo. A origem do seu nome remonta à mitologia romana: Mercúrio era o mensageiro dos deuses.
CONHECIDO HÁ CINCO MIL ANOS
As primeiras referências devem-se aos sumérios, há pelo menos cinco mil anos. Na Grécia Antiga tinha dois nomes: Apolo, quando visível de manhã; e Hermes, à noite. Pitágoras concluiu que era o mesmo astro.
POLÉMICO GALILEU OBSERVA DA TERRA
As primeiras observações telescópicas de Mercúrio foram feitas por Galileu Galilei, enquanto olhava para Vénus. No século XVII, o italiano desafiou a autoridade da Igreja, dizendo que o Sol era o centro do Universo.
DA QUÍMICA À BANDA DESENHADA
Além de planeta e figura mitológica, Mercúrio é um elemento químico e um herói da banda desenhada. À temperatura ambiente, Mercúrio é um metal líquido. No mundo da Marvel, tentou roubar o campo magnético da Terra.
'MARINER 10' TIROU PRIMEIRA FOTO DO PLANETA HÁ 34 ANOS
As primeiras fotografias de Mercúrio foram retiradas pela sonda espacial ‘Mariner 10’ em 1974 e, até 2003, foi o primeiro e único objecto produzido pelo homem a aproximar-se do primeiro planeta do sistema solar.
Há 34 anos, a ‘Mariner 10’ realizou duas aproximações a Mercúrio. Na primeira, a 29 de Março, a sonda espacial passou a pouco mais de 700 quilómetros da superfície do planeta, enquanto na segunda conseguiu aproximar-se até aos 48 quilómetros. O terceiro e último contacto com o planeta aconteceu a uma altitude de 327 quilómetros.
Além de ter sido a primeira a fotografar Mercúrio, a ‘Mariner 10’ foi igualmente a primeira a utilizar a gravidade de um planeta (Vénus) para chegar a outro. Isto permitiu uma enorme poupança de combustível, chegando muito mais cedo do que o esperado à órbita de Mercúrio. Os custos totais desta missão da ‘Mariner 10’ ascenderam a 68,3 milhões de euros.
MILHARES DE ERUPÇÕES VULCÂNICAS SIMULTÂNEAS
As mais recentes fotografias de Mercúrio dissiparam as dúvidas dos cientistas da NASA quanto à possibilidade de o planeta ter tido uma actividade vulcânica intensa. As imagens obtidas pela ‘Mariner 10’, na década de 70, levantaram a dúvida sobre se as crateras existentes à superfície seriam resultado do impacto de asteróides. No entanto, a primeira análise aos dados agora obtidos pela ‘Messenger’ fazem acreditar que o planeta mais próximo do Sol teve, a certa altura da sua evolução, milhares de erupções vulcânicas. A maior cratera do planeta, ‘Caloris Basin’, tem cerca de 1300 quilómetros de diâmetro.
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