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Correio da Manhã

Tecnologia
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Uma nova aventura na Lua

O regresso do Homem à Lua está para breve. “Até 2020 os astronautas voltarão a pisar o solo lunar”, garantiu Michael D. Griffin, administrador da NASA. No início deste mês foram apresentados os foguetões ‘Ares’ e a nave ‘Orion’, os aparelhos da nova geração que irão substituir o velhinho vaivém espacial em futuras missões de exploração do cosmos.
16 de Setembro de 2006 às 00:00
Esta será apenas uma etapa do ambicioso projecto de exploração espacial anunciado em 2004 pelo presidente norte-americano George W. Bush, que prevê a construção de bases lunares permanentes para investigação científica e para servirem de escala a futuras viagens tripuladas até Marte. O foguetão ‘Ares I’ servirá para transportar a nave ‘Orion’, que levará os astronautas a bordo. O ‘Ares V’ é um veículo de carga pesada que irá transportar principalmente mantimentos e peças de grandes dimensões para a Lua e para a Estação Espacial Internacional, em órbita à volta da Terra.
Os engenheiros da NASA prevêem efectuar o primeiro voo tripulado com os novos aparelhos em 2014. A empresa de aeronáutica Lockheed ganhou a corrida para a construção desta nova frota espacial. A factura do projecto também tem números galácticos: três mil milhões de euros só para a construção das novas naves (o triplo do orçamento de construção da Ponte Vasco da Gama).
Os astronautas que embarcarem nesta aventura vão ter um trabalho muito diferente do efectuado por Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar solo lunar em 1969.
As viagens tripuladas ao satélite natural da Terra foram o ponto alto do programa Apollo, mas terminaram em 1972 devido à falta de verbas e de interesse científico. Nessa altura os astronautas limitavam-se a fazer medições científicas e a colher amostras de rochas lunares. Mas o novo projecto é mais ambicioso.
A NASA quer construir um laboratório permanente e explorar os recursos naturais da Lua, incluindo extracção de minérios. A nave ‘Orion’ tem capacidade para pousar em qualquer ponto da superfície lunar. Contrariamente às naves do programa Apollo está equipada com piloto automático e tem uma maior autonomia. O novo projecto prevê que os astronautas possam ficar até sete dias na Lua, em vez de apenas três como acontecia nas primeiras viagens.
Os críticos dizem que se trata de um projecto demasiado caro e, além disso, muitos defendem a utilização de robôs, mais baratos e com menos riscos nesta missão. Apesar disso, os responsáveis da Agência norte-americana defendem que esta evolução tecnológica é fundamental para dar um novo impulso à exploração do espaço – que continua a ser a última fronteira para a humanidade.
COMBUSTÍVEL
Os foguetões ‘Ares’ vão usar uma mistura de carburante sólido, à base de parafina, bem como oxigénio e hidrogénio líquidos. A ‘Orion’ usará gás metano e energia solar.
CARGA
O foguetão ‘Ares I’ poderá levar até 25 toneladas de carga para o espaço. O foguetão ‘Ares V’ tem uma capacidade superior, podendo carregar até 13 toneladas.
RECICLAGEM
A nave ‘Orion’ pode ser reutilizada até dez vezes. No regresso à Terra os astronautas disparam um sistema de pára-quedas e ‘airbags’ para amortecer a queda.
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