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Vítimas do progresso

A ameaça de extinção de espécies também afecta Portugal. No País, 19 por cento dos anfíbios, 26 por cento dos mamíferos, 69 por cento dos peixes de água doce, 32 por cento dos répteis e 38 por cento das aves estão ameaçadas de extinção e o ritmo aumenta a uma velocidade preocupante. As causas são muitas e quase todas têm a intervenção humana, que tem descurado as preocupações ambientais em detrimento de um desenvolvimento cego e sem regras.
15 de Dezembro de 2007 às 00:00
De acordo com Maria José Costa, professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, “a densidade humana crescente, a sobreexploração dos recursos naturais e o consequente desequilíbrio de forças entre o homem e as demais espécies, reclamam uma intervenção urgente em prol da regulamentação das várias actividades comerciais, sobretudo nas suas vertentes económicas e turística”, defendendo que “só assim se evita a degradação definitiva dos habitats e a extinção das espécies”.
Em Portugal, o lince ibérico é o animal mais próximo da extinção, mas outras espécies, menos conhecidas, estão também ameaçadas. Entre os mamíferos, o lobo, o gato-bravo, morcegos e a maioria dos cetáceos têm o estatuto de ameaçados. No que diz respeito às aves, a situação é grave, com quase 40 por cento das espécies identificadas em risco de desaparecer. Além das aves de rapina, como a águia ou o peneireiro, existem espécies endémicas ameaçadas de extinção. A Freira e o Pombo da Madeira e o Priôlo, dos Açores, são disso exemplo e só existem nestas duas zonas geográficas.
A inexistência de estudos aprofundados sobre as populações de certas plantas, invertebrados marinhos e insectos não permitem dizer, com exactidão, quais são as espécies mais ameaçadas. Porém, entre os insectos – Portugal, apesar de ser um País pequeno, tem 30 das 33 ordens reconhecidas –, é possível apontar a ‘Euchloe tagis’ com uma espécie ameaçada.
Nos peixes, a lista em risco de extinção é extensa, devido à poluição, construção de barragens e pesca excessiva. O esturjão, o salmão, a solha, o sável e as lampreias são apenas alguns exemplos de espécies a desaparecer dos rios nacionais. Por fim, também os répteis e os anfíbios estão ameaçados em Portugal, como são os casos da salamandra-lusitânica, o tritão palmado, o cágado de carapaça-estriada e a víbora de seoane.
Apesar do cenário ser alarmante, a especialista encara o futuro com optimismo, depositando grande esperança no comportamento das gerações mais jovens. “Acredito que as nossas crianças estão já mais conscientes para as questões ambientais e conseguem influenciar os pais a adoptar comportamentos mais correctos”, afirmou ao CM, dando como exemplo pequenos gestos individuais que fazem toda a diferença: “O meu neto diz que fecha a torneira, enquanto lava os dentes, por causa das baleias.”
SAIBA MAIS
16 118 É o total de espécies ameaçadas de extinção em 2006, segundo a UICN, das quais 8390 são plantas, 2101 são invertebrados e 5624 vertebrados.
1980 Ano em que pela primeira vez foi referido o conceito de biodiversidade. Doze anos depois, foi consagrado na Conferência do Rio.
BIODIVERSIDADE
Diz respeito à variedade de organismos no Mundo e refere-se às relações entre os seres vivos e entre estes e o ambiente.
NÍVEIS DE AMEAÇA
Há sete patamares de risco: extintas, extintas na Natureza, criticamente ameaçada, em perigo, vulnerável, quase ameaçada e segura.
URSO POLAR ESTÁ CONDENADO
O desaparecimento da camada de gelo permanente no Pólo Norte está a ameaçar a existência do urso polar e das focas árcticas. Segundo as previsões dos cientistas, ambas as espécies deverão estar extintas em 2050. O aquecimento global, provocado pela emissão de gases com efeito de estufa, é uma das principais razões para o degelo. O urso polar, porém, não é o único em risco de desaparecer em breve. O tigre da Sibéria está, igualmente, ameaçado de morte. Ainda recentemente, na China, o golfinho do rio Yangtze foi dado como extinto, após uma busca intensa realizada ao longo de seis meses. De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, a lista de espécies ameaçadas é longa. Um em cada quatro mamíferos, uma em cada oito aves, um terço de todos os anfíbios e 70 por cento das plantas estão em perigo de desaparecer para sempre. Uma das soluções para evitar a catástrofe, dizem os cientistas, é recolher já o ADN das espécies para posteriormente serem clonadas.
EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA EM LISBOA
No Museu da Politécnica, em Lisboa, está patente a exposição ‘Biodiversidade – 100 Anos da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais’, cujo objectivo é alertar para a preservação das espécies. A iniciativa contou com a colaboração de vários fotógrafos, entre os quais Joaquim Pedro Ferreira, Emanuel Gonçalves, Eduardo Marabuto e Rosa Pires, cujo trabalho ilustra estas páginas.
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