Governo tira tapete à administração da RTP

Estação pública comprometia-se a ceder instalações, arquivo e pessoal à Federação Portuguesa de Futebol.

20 de março de 2019 às 01:30
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A polémica gerada pelo memorando assinado em janeiro entre a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a RTP, em que esta se comprometia a ceder instalações, arquivo e até pessoal ao canal 11, levou o órgão dirigente do futebol em Portugal a pôr fim ao protocolo, que deixou o próprio Governo "perplexo".

Esta terça-feira, no debate quinzenal no Parlamento, Catarina Martins questionou o primeiro-ministro sobre esta parceria e António Costa respondeu que todos partilhavam a "perplexidade" manifestada pela líder do BE relativamente ao protocolo, "que não foi do conhecimento prévio do Governo".

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Por esse motivo, o ministro das Finanças e a ministra da Cultura dirigiram uma carta ao conselho de administração da RTP [CA], exigindo cinco esclarecimentos fundamentais: o motivo pelo qual este acordo não está incluído no Plano de Atividades, sujeito a aprovação; se a CA considera que este protocolo se insere no conceito de gestão corrente; esclarecer os termos da utilização das instalações do Centro de Produção do Norte pela FPF, "que estão afetos ao serviço público", e saber como é que a RTP se propõe ceder trabalhadores à FPF.

Por último, António Costa quer saber "como é que se explica que a RTP participe numa iniciativa que é concorrencial da sua atividade e também concorrencial relativamente a outros canais".

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O CM tentou obter um comentário da FPF, mas sem sucesso. Contudo, sabe-se que a FPF entendeu que o espírito do referido memorando de entendimento não estava a ser devidamente compreendido e decidiu cessar o mesmo.

Já a RTP afirma que "manterá a sua relação de cooperação com a FPF, existente há décadas, colaborando em projetos que promovam as competições nacionais."

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