Cartoonista português Vasco Gargalo: “Não me revejo em nada do que me acusam”
Courrier Internacional cedeu às pressões e retirou-lhe prémio.
O cartoonista português Vasco Gargalo está a ser acusado de antissemitismo por organizações judaicas, que pedem a sua demissão dos meios de comunicação social em que trabalha, como o CM e a ‘Sábado’.
Em causa está um cartoon de 15 de novembro - publicado na plataforma Cartoon Movement, e que na semana passada voltou a ser publicado nas redes sociais -, intitulado ‘O Crematório’, no qual o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que surge com um quipá e uma braçadeira com a Estrela de David, empurra um caixão coberto com a bandeira da Palestina para dentro de um forno crematório. Por cima aparece a inscrição ‘O trabalho liberta’, presente no campo de extermínio de Auschwitz. O cartoon foi feito para retratar o conflito israelo-palestiniano.
"Não me revejo em nada do que me acusam. Trabalho em prol da liberdade e dos direitos humanos, não sou antissemita, homofóbico, racista...", começa por dizer ao CM Vasco Gargalo, acrescentando que, na última semana, tem sido alvo de críticas e ameaças.
Além disso, as pressões junto dos órgãos de comunicação social nos quais trabalha já tiveram efeitos a nível internacional: o ‘Courrier International’ retirou-lhe o prémio Plumes Libres para melhor desenho de imprensa, atribuído em 2019.
Ainda assim, o cartoonista de 43 anos garante que vai "continuar a trabalhar como até aqui". "Nunca vou ser politicamente correto. Isto é um atentado à liberdade de expressão, que espero que fique por aqui. E lamento que, em vez de o meu trabalho, não se esteja a falar do tema que está na sua origem".
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